
Mudanças e novidades foram algumas das promessas feitas na conferência de imprensa decorrida ontem, 15 de julho, no âmbito do próximo Doclisboa – Festival Internacional de Cinema (22 de outubro e 1 de novembro). O festival estará presente na Culturgest, no Cinema São Jorge, na Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, no Cinema Ideal e no Cinema City Campo Pequeno.
Tal como é habitual na programação daquele que já é considerado um dos maiores festivais do Mundo, o Doclisboa irá apostar na atualidade como foco de interesse para a sua mostra documental, e sob esses termos a Grécia não poderia ser deixada de lado. Esta secção especial terá como principal objetivo visar o cinema praticado nesse país, ao mesmo tempo focando-se em questões geopolíticas e sociais, tudo isso demonstrado através de uma mostra que reúne tanto clássicos como obras contemporâneas e atuais.
O cinema como uma poderosa arma de divulgação e a luta pelos direitos é a temática da retrospetiva “I don’t throw bombs, I make films – Terrorismo, Representação“, que incidirá nas heranças ideológicas e na sua preservação, todas elas captadas com ferocidade pelas câmaras. Nesta secção serão apresentados diversos filmes de lutas armadas completamente distintas, algumas delas inéditas em Portugal. A retrospetiva conta com 19 sessões. Entre os filmes confirmados poderemos destacar 3000 Häuser (3000 Houses), de Hartmut Bitomsky e Holger Meins, Deutschland im Herbst (Germany in Autumn), que contou com realização de Rainer Werner Fassbinder, Colpire al Cuore (Blow to the Heart), de Gianni Amelio, e Die Innere Sicherheit (The State I Am In), de Christian Petzold.
O documentarista jugoslavo Želimir Žilnik, estará presente em Portugal para apresentar uma retrospetiva dirigida à sua figura. Dotado de uma abordagem não-tradicional, Žilnik tornou-se num dos nomes mais proeminentes da chamada Onda Negra do cinema jugoslavo, cuja carreira é marcada por uma constante análise crítica às convenções politicas do seu país, mais concretamente nos anos 50, o qual a Jugoslávia atravessava uma transição político-social. Nos dias de hoje, a sua obra é vista como um dos importantes documentos de registo à essa determinada época. A retrospetiva terá a parceria com a Cinemateca-Portuguesa Museu do Cinema.
Quanto às mudanças. o Doclisboa revelou que nas Competições Internacionais e Nacionais, a separação entre curtas e longas-metragem será abolida, visto que o papel de classificação de formatos e géneros tem sido cada vez mais difícil, e de certa forma ingrata, já que a chamada média-metragem tem vindo gradualmente a ganhar terreno no panorama do festival. Porém, a Competição Primeira Obra continuará a ser transversal a varias secções do Doclisboa.
A secção Riscos manifestará também algumas alterações nesta edição. Para além de continuar o seu papel na aposta em conteúdos urgentes e com valor histórico, será nos dado um autor em foco em cada edição. Robert Gardner é o primeiro a ser reverenciado, um homem fundamental da história do cinema documental na sua relação com a Antropologia, que infelizmente faleceu em 2014. Este programa será apresentado em colaboração com o Harvard Film Archive.
Por fim, a organização anunciou o projeto Arché, um espaço dedicado ao público profissional que procura desenvolver as suas qualidades como autores e na criação de projetos cinematográficos. O projeto será composto por uma oficina de escrita e por uma oficina de visionamento e discussão de trabalhos em curso, para além de masterclasses, outros workshops e encontros individuais. Portugal e Espanha serão os países convidados. A participação é gratuita. Apesar das novidades, as anteriores secções do Doclisboa manterão (Heart Beat, Cinema de Urgência, Verdes Anos, Passagens e Doc Alliance).

