“Oxygen” e “O Agente Secreto” premiados no Festival de Jerusalém

(Fotos: Divulgação)

A 42.ª edição do Festival de Cinema de Jerusalém (17-26 de julho) terminou com a atribuição do prémio para Melhor Longa-Metragem Israelita a Oxygen, drama antibelicista de Netalie Braun sobre uma mãe que toma medidas extremas para impedir que o filho, com 21 anos, retorne à frente de batalha no Líbano. O júri destacou o filme como uma obra “com múltiplas camadas da realidade israelita“, com “dimensão quase bíblica“, elogiando a forma como Braun desconstrói o mito do herói nacional e aborda o trauma coletivo e a opressão do serviço militar obrigatório. A realizadora classificou o filme como “um apelo político e uma chamada à revolução“.

Já oO júri da competição israelita atribuiu ainda uma menção honrosa a The Sea, de Shai Carmeli-Pollak, projeto sobre um jovem palestiniano do território cisjordano que empreende uma jornada perigosa para ver o mar, simbolizando o desejo de liberdade dentro da realidade da ocupação. O filme foi elogiado por captar “a dissonância dos labirintos impossíveis da ocupação, do exército e da polícia“.

O Agente Secreto

Na competição internacional, o júri internacional, composto por Lawrence Bender, Matthias Glasner e Julia von Heinzo, deu o prémio de Melhor Filme a The Secret Agent (O Agente Secreto), do brasileiro Kleber Mendonça Filho, projeto que nos leva a dois tempos da realidade brasileira, a atualidade e os anos 1970. Outras distinções foram atribuídas a Bálint Szimler, de Hungria, por Lesson Learned (Melhor Realizador ), e a Urška Djukić, da Eslovénia, como Melhor Estreia Internacional por Little Trouble Girls.

O festival incluiu ainda o tradicional Jerusalem Pitch Point, onde foram distinguidos projetos em desenvolvimento. O Grande Prémio foi para Where To, de Assaf Machnes, uma tragicomédia sobre um motorista palestiniano com 55 anos, em Berlim, e um jovem israelita. O Prémio do Júri foi atribuído a Maybe It’s Love, de Henya Brodbeker, sobre uma mulher ultraortodoxa em crise emocional no seu casamento arranjado.

Como tem acontecido ao longa da última década, mas intensificado nos últimos anos, o festival enfrentou críticas e um boicote visível. O realizador português Pedro Pinho anunciou publicamente que recusou a participação de O Riso e a Faca no certame. Nas redes sociais, Pinho justificou a decisão afirmando que considera “cumplicidade” qualquer participação em eventos que promovam uma falsa normalidade “perante o genocídio em curso na Palestina“. O realizador, cujo filme estreou em Cannes na secção Un Certain Regard, sublinhou que o certame é financiado pelo mesmo Estado que, segundo diz, “mata indiscriminadamente seres humanos para colonizar terras e exterminar um povo“.

Este boicote insere-se num movimento mais amplo de crítica à política israelita face à Palestina, especialmente após os ataques de 7 de outubro de 2023 e a subsequente ofensiva militar em Gaza, que já provocou mais de 57 mil mortes palestinianas. A guerra continua a gerar debate interno em Israel e o festival funcionou como um espaço de contradições. Nesse sentido, embora parte do público tenha partilhado a sua inquietação com a barbárie do governo de Netanyahu, uma das sessões mais “tensas” do evento foi a exibição de “Yes“, da Nadav Lapid, que marcou presença em palco com Ari Folman.

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