Carta de intenções para o futuro do audiovisual argentino, essencial sobretudo no meio à aspereza imposta pelo governo de Javier Milei, o Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires (BAFICI) inicia uma nova edição, a número 26, a 1 de abril, na celebração de diferentes veias autorais do seu país e de expoentes do cinema de autor de outros continentes. O título de abertura será “Upa! A Springtime in Athens”, de Tamae Garateguy, Santiago Giralt e Camila Toker. A equipa curatorial, com direção artística de Javier Porta Fouz, vai realizar 500 sessões em 13 salas de exibição em diversos cantos do país. A seleção integral será anunciada nas próximas duas semanas. Entre os títulos já divulgados está a longa-metragem portuguesa “Pai Nosso – Os Últimos Dias de Salazar, de José Filipe Costa, estreada em Roterdão.
Sintonizada com novas tendências da Europa, na Ásia e na África, o Bafici importou da Roménia o vencedor da Orizzonti de Veneza, “The New Year That Never Came”, de Bogdan Mureşanu. Numa aposta na diversidade geopolítica, Fouz foi buscar atrações em França (“Voyage Au Bord De La Guerre”, de Antonin Peretjatko, e “Les Barbares”, de Julie Delpy); na China (“Caught By The Ties”, de Jia Zhang-ke); em Itália (o melodrama “La Vita Accanto”, apresentado por Marco Tullio Giordana a Locarno); na leva documental mais recente da Suíça (“Misty – A História de Erroll Garner”, de Georges Gachot); em Oslo, na Noruega (“Spermageddon”, de Tommy Wirkola e Rasmus A. Sivertsen); e na Bélgica (“Reflet Dans Un Diamant Mort”, de Hélène Cattet e Bruno Forzani, indicado ao Urso de Ouro). Incluiu ainda o vencedor da Concha de Ouro de 2024, “Tardes de Soledad”, do catalão Albert Serra, no seu panorama global.
Na seção Resgates, de cunho histórico, entram filmes recuperados e restaurados pela Cineteca Nacional do Chile como “Esperando a Godoy” (1973), de Cristián Sánchez, Rodrigo González e Sergio Navarro.
Estimam-se que longas-metragen do Brasil entrem no Bafici. No ano passado, o vencedor do evento foi uma produção vinda do Rio de Janeiro: “A Paixão Segundo GH”, de Luiz Fernando Carvalho.
BAFICI chega à 26ª edição sem medo de Milei
(Fotos: Divulgação)
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