Quatro anos depois de executar a curta-metragem Vengeance et terre battue, Mathieu Sapin embarcou em Le Poulain, uma obra que embarca nos bastidores da campanha política em França, com Finnegan Oldfield e Alexandra Lamy a cruzarem-se no grande ecrã entre a comédia, o drama e o suspense. Sim, “suspense“, esse é um dos elementos que este famoso autor de banda-desenhada aprecia na política, ele que em 2015 até tinha dito numa entrevista que François Hollande, antigo presidente francês, ficaria muito a ganhar se lê-se o seu trabalho.
Presente na Festa do Cinema Francês em Lisboa, Sapin falou ao c7nema sobre este Le Poulain. Ao seu lado estava o ator Finnegan Oldfield, sempre a dizer piadas e em clara descontração após chegar à capital vindo diretamente de mais umas filmagens.

O Mathieu Sapin começou na banda-desenhada, o que o levou a transitar para o cinema?
Mathieu Sapin – Estive num atelier com dois autores de BD que fizeram Cinema, o Joann Sfar e o Riad Sattouf. São meus colega e, como fizeram Cinema, disse para mim mesmo: porque não experimentar? Depois disso, sabemos que há muitos produtores que se interessam por banda-desenhada e que estão sempre a pensar em adaptações ao Cinema. No caso do Le Poulain, foi o produtor que me propôs fazer um filme, pois tinha lido as minhas bandas-desenhadas.
E ama a política?
Sim, acho algo interessante como espetáculo. Tive a sorte de seguir de perto a política e é um meio onde existe muito suspense. É um bom reservatório de histórias e personagens curiosas…
Em 2015 disse que François Hollande tinha muito que aprender com as suas banda-desenhadas. E Macron, também tem algo a aprender?
Sim, pois como estão ou estiveram no cargo não veem todos os jovens que estão a trabalhar em pequenos postos políticos, mas que fazem parte do aparelho ou de uma equipa de campanha. São como equipas de cinema e em geral há um chefe que fica acima disso. E eu adoro descrever isso tudo.
E o Finnegan, como se encontraram para este projeto? Houve um casting?
Finnegan Oldfield- Foi num bar irlandês, um daqueles com Guiness (risos). A sério… (risos)
[entramos na brincadeira] E estavas como DJ lá? (Finnegan era suposto ser DJ uma noite na Festa do Cinema Francês)
(risos) Não, mas o set de hoje à noite aqui na Festa do Cinema Francês foi cancelado por causa da morte do Freitas do Amaral…
E como foi trabalhar com o Sapin e com a Alexandra Lamy?
Foi bom, diferente de tudo o que tinha feito. Vinha de uma série de filmes de autor com temas um pouco mais sérios, por isso foi uma questão de trabalhar a concentração, pois este era uma comédia.
E estudaram a política para o papel do Finnigan?
Mathieu Sapin: Sim. Analisamos a política os dois, vimos também alguns filmes para procurar uma conexão. A cena final do filme foi mesmo filmada no Palácio do Eliseu e essa foi a primeira cena nas filmagens.
O Finn tem trabalhado em imensos filmes e com inúmeros cineastas. Por exemplo, no Marvin com a Anne Fontaine. Como é trabalhar com tantos cineastas, são todos diferentes no método?
Sim, todos eles são diferentes. Quando filmei com o Matthieu tinha acabado de filmar com a Anne Fontaine e a mudança foi da noite para o dia. O oposto. Aliás, podemos dizer que o Sapin e a Anne Fontaine são de pólos diferentes. Até fisicamente, principalmente fisicamente (risos).
Mas essencialmente, não filmamos o essencial do filme em Paris, mas principalmente em Montpellier, e foi sempre a filmar o tempo todo. Até naquela noite em que era suposto descansares, a Alexandra Lamy obrigou-nos a repetir uma cena. Conseguimos apenas dormir umas horas e depois era filmar. Foi duro, fatigante.
Para além disso, quem fez o plano de trabalho (risos), descobri mais tarde, vivia longe e tinha de ir buscar os filhos e a mulher ao trabalho às 18h30, então começamos a filmar muito tarde. (risos)
Tem ainda alguns filmes na agenda: o Selfie, o Gargarine….
O Gargarine vim agora das filmagens.

Podes falar um pouco desse filme?
Sim, é sobre uma cidade em Ivry-sur-Seine, nos subúrbios de Paris. É a cidade da banda de rappers PNL, quando estava prestes a ser destruída. Seguimos um jovem da cidade que a quer salvar.
E tem também Les Devorants?
Sim, estou a filmar atualmente. Depois disso não posso ainda falar…
E o Mathieu, tem novos projetos? Vai continuar no cinema?
Sim, tenho um projeto com a Pyramide como produtora. Estou na fase da escrita.
E pensa fazer um filme baseado nas suas bandas-desenhadas?
Nem por isso, quer dizer, o Le Poulain é inspirado nas bandas-desenhadas políticas que faço, mas nunca tive um verdadeiro interesse em adaptar aquilo que público. Vou adaptar uma, mas em animação. O Supermurgeman. Dessa adaptação já está tudo assinado, por isso posso anunciar. Com o produtor da série Marianne.

