‘Mussum, o Filmis’ comove o Odeon

(Fotos: Divulgação)

Esperança de salas lotadas no ano de pior rentabilidade do cinema brasileiro em circuito comercial desde a Retomada, “Mussum, O Filmis”, vencedor do Kikito de Melhor Filme no Festival de Gramado, deu ao Cine Odeon – Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro (CCLSR) um dos momentos mais emocionantes da sua História nonagenária. A sala de projeção, fundada em abril de 1926, recebeu a longa-metragem de Silvio Guindane para uma sessão de gala na Première Brasil do Festival do Rio na qual havia superpovoamento na plateia – como se diz na gíria carioca, “era gente saindo pelo ladrão”. Calcada em primoroso guião de Paulo Cursino, a produção, de orçamento estimado em 11 milhões de reais, converte em ficção os feitos do músico e comediante Antônio Carlos Bernardes Gomes (1941-1994). Inclua entre as peripécias a luta contra a pobreza; a paixão pela Mangueira; o sucesso com os Originais do Samba; e o fenómeno na TV com Didi, Dedé e Zacarias. No papel principal, Aílton Graça consolidou o seu nome nas telas – na TV, ele já era uma celebridade – quase 20 anos depois de ter chamado a atenção da crítica em seu trabalho em “Carandiru”, de Hector Babenco (1946-2016), nomeado à Palma de Ouro de Cannes em 2003.

Quando eu criança, o meu pai chamou-me e ao meu irmão e disse que ia dar uma arma para gente ganhar a vida. Essa arma era uma caneta. Ela dizia que com o estudo íamos vencer. O filme do Mussum fala de um homem que alfabetizou a própria mãe, Dona Malvina. Quando me perguntava o que eu queria ser quando crescesse, a minha mãe, que era doméstica, ouvia da minha boca coisas do tipo ‘quero ser astronauta, quero ser isso, quero ser aquilo’. Um dia ela me falou: ‘Você precisa escolher. Por que não escolhe uma profissão em que pode ser tudo isso?’. Nessa hora eu sabia o que ia ser: ator”, disse Aílton ao C7nema.  

Respeitado como ator desde a década de 1990, quando apareceu em “Como Nascem os Anjos”, Guindane foi laureado com uma menção honrosa no Festival do Rio há uma década, por “Jogo das Decapitações”. Com a história do Trapalhão, ele se consagra como realizador, tendo duas atrizes em estado luminoso de atuação (Cacau Protásio e Neusa Borges) no papel de Dona Malvina, em épocas diferentes. Mussum é vivido ainda, em fases pueris, por Thawan Lucas e Yuri Marçal (laureado como Melhor Coadjuvante pelo papel em Gramado).
“Jogar em casa é outra coisa! O prazer é maior”, comemorava Guindane em entrevista ao C7 na entrada do Odeon. “Gramado foi um espaço de lançamento muito importante, ao qual sou grato, pois serviu como um termômetro para o que o filme pode vir a ser. A gente fez com que uma plateia majoritariamente branca do Rio Grande do Sul se interessasse, com carinho, pela história de um homem negro batalhador e sua mãe. É um filme de mãe para filho e de filho para mãe”.

Silvio Guindane dirige a biopic do Trapalhão que desafiou o racismo no Brasil – Foto: C7/Rodrigo Fonseca

Encarado como a maior aposta de fartas bilheterias para o Brasil deste ano, “Mussum” ganhou sete troféus ao todo em Gramado, inclusive o de Melhor Ator, dado a Ailton. Tem mais uma sessão dele no Festival do Rio, no sábado, dia 14, no Reserva Cultural 1, às 20h45. A estreia vai ser no dia 2 de novembro.

Gramado foi a primeira sessão pública do filme e a reação foi fantástica, com vários aplausos em cena aberta, confirmando o que já havíamos atestado em várias sessões de teste”, diz o produtor André Carreira. “A repercussão de Gramado foi a melhor possível, e se refletiu na explosão de views do trailer na web. Outra ação importante foi a sessão para os exibidores durante a Expocine. O entusiasmo foi geral. Agora começa a campanha de lançamento com uma estratégia 360 graus coordenada pela DownTown Filmes, que é a nossa distribuidora. O filme terá tudo que um grande lançamento pede e está sendo desenhado à altura da expectativa do mercado”.

Na próxima quarta-feira, “Mussum, o Filmis” terá sessão especial na quadra da Escola de Samba Mangueira, com presença do elenco e equipe. A clássica escola de samba foi uma grande paixão do Trapalhão, que desfilou com a comunidade (famosa pela bandeira verde e rosa) por anos e, inclusive, atuou como diretor de uma ala, chamada ala das baianas. Agora, 29 anos após a morte do astro, a quadra será transformada em cinema para uma emocionante exibição da cinebiografia. O filme se impõe como espetáculo visual pela fotografia de Nonato Estrela, de um capricho espartano com a luz.

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