Peréio, a lenda urbana

(Fotos: Divulgação)

Consagrado no cinema brasileiro por meio de um episódio que traduz a sua irreverência – “o homem que foi expulso de uma suruba por mau comportamento” -, o ator gaúcho Paulo César Peréio rouba para si os holofotes do 25. Festival do Rio. Neste domingo, o evento exibe “Peréio, Eu Te Odeio“, documentário que o artista gráfico e ás das BDs Allan Sieber levou 23 anos para tirar do papel, com foco nas excentricidades do astro de “Eu Te Amo” (1981). Com mais uma sessão agendada para o dia 12, no Estação NET Rio 2, a longa-metragem foi assinada em dupla com Tasso Dourado. Em entrevista ao C7nema, Sieber explica como foi o processo.

O que existe de mais fascinante na figura de Paulo César Peréio como ator que te leva a mapear a historia do cinema a partir dele?
O fascinante na figura do Peréio é que ele é muito inteligente, muito culto, e ele tá em permanente conflito com qualquer tipo de autoridade, ou seja, no caso do cinema, ele se debate contra o realizador, por exemplo. Ou o produtor. Então, ter o Pereiro num filme é sempre ter uma eletricidade no set que se reverte num resultado bom para o filme.

Como foi o processo de recolha de imagens e de depoimentos para o filme?
O processo de coleta dos depoimentos foi bem caótico. Comecei entre 2000 e 2001. Houve uma paragem e retomei em 2005. Parei de novo. Depois retomei em 2009, achando que desta vez ia terminar o filme.
E aí retomamos em 2018 e 2019, pouco antes de vir a pandemia. Basicamente, o Peréio é culpado pela pandemia, porque aí o Tasso Dourado ofereceu-se para montar tudo que tinha. Ele virou realizador junto comigo no filme, e é o montador junto com outras pessoas. Quando veio a covid-19, mais uma vez não conseguimos avançar, mas, este ano, terminamos.

Qual foi a importância do Peréio para a feitura da sua animação mais famosa, o “Deus É Pai“?
Em “Deus é Pai”, o filme original, de 1999, quem fez a voz de Deus, foi o (animador) Otto Guerra. Esse filme foi para Gramado. Depois, em 2000, eu fiz dois pilotos de série para MTV, com o mesmo mote. Aí sim, o Peréio fez a voz de Deus. Esse episódio trouxe um problema, na época, pois a arquidiocese, por meio de um assessor, entrou em contato com a MTV, emissora dona do projeto, considerando a nossa produção um absurdo. Isso ocorreu porque, num episódio, o “Regulando a mesada”, Deus, depois de bilhões de anos, parava de dar mesada para Jesus, e ele vira travesti. Isso ofendeu profundamente autoridades da Igreja. Posteriormente, numa série chamada “Tosco TV”, de 2009, para o Canal Brasil, retomei a série, e o Peréio fez a voz de Deus uma vez mais. E o fez maravilhosamente bem. Como ele fala, é um papel à altura dele.

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