“Fica cada vez mais difícil filmar na Argentina”, diz Martín Benchimol, ao lançar ‘El Castillo’

(Fotos: Divulgação)

Carregado de fantasmas marxistas, “El Castillo” leva a Argentina aos Horizontes Latinos de San Sebastián, abrindo uma discussão sobre novas formas de opressão nas relações de trabalho. Ao adentrar o universo da aristocracia decadente, o realizador Martín Benchimol faz um estudo das práticas de servidão, ao narrar as transformações na vida de uma mulher, Justina, que ganha da sua patroa um casarão abandonado, sem ter a noção do que vai encontrar por lá. A longa-metragem teve a sua estreia mundial no Panorama da Berlinale e vai passar pela Mostra de São Paulo. Na entrevista a seguir, Benchimol conta ao C7nema o que se passa na indústria argentina hoje.

O que existe de marxista na abordagem que o filme propõe sobre o conflito de classes?

Esta narrativa faz uma mistura entre a magia e o realismo, focando o que existe de improvável na vida doméstica. Aqui, o trabalho é o ponto de partida simbólico para desbravar heranças histórias, materiais.

Que opressão sufoca a personagem?

Justina passou a vida a trabalhar sem receber e, em um momento nunca esperado da vida, ela recebe um castelo como soldo de uma relação servil. Aquele castelo era usado como casa de fim de semana pela dona, um espaço isolado. Assim, a solidão de Justina naquele lugar é grande. É uma nova forma de vida.

O que existe de político neste novo olhar?
A emancipação. O desafio da personagem é aprender a viver à sua maneira, libertando-se.

Como foi estruturada a direção de fotografia em relação ao universo rural que retrata?
Só trabalhamos com luz natural, buscando meios de enquadrar em que o castelo estivesse sempre em cena. Esboçamos uma perspetiva barroca, a partir da qual as janelas do casarão iluminassem o mundo em que entramos. Iniciamos o processo como se fosse um documentário, com base numa dinâmica de observação.

De que forma a atual situação do cinema argentino favorece a produção de filmes independentes como “El Castillo“?
É um filme muito pequeno que só tinha quatro pessoas no set. Hoje, há muitos filmes argentinos no mundo, porém, cada vez fica mais difícil filmar na Argentina, por conta da inflação galopante que temos. Hoje, o apoio do fundo de apoio de nosso instituto de cinema só nos garante cerca de 20% do orçamento, o que nos obriga a sair atrás de coproduções.

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