Há uns meses atrás foi anunciado que Jessica Chastain e Anne Hathaway iriam protagonizar o thriller psicológico “Mothers’ Instinct”, um remake do filme belga de 2018 “Duelles”.
No filme, Chastain e Hathaway interpretarão melhores amigas e vizinhas na década de 1960, que vivem um estilo de vida tradicional idílico, com maridos bem-sucedidos e filhos da mesma idade. Tudo vai mudar repentinamente quando um trágico acidente acontece e a culpa, a suspeita e a paranóia se combinam para desfazer o vínculo entre as mulheres.
“Não será um daqueles remakes em que tudo é igual”, disse ao C7nema o realizador Olivier Masset-Depasse, que atualmente faz parte do júri de uma das competições no Festival Internacional de Cinema de Bruxelas (BRIFF).

“Duelles” era baseado no livro “Derrière la Haine” da escritora Barbara Abel. Giordano Gederlini e Olivier Masset-Depasse adaptaram a um guião em 2018, mas neste remake americano existe a presença e influência norte-americana na adaptação.” Trabalhei no novo guião com uma argumentista norte-americana [Sarah Conradt]. Acrescentamos coisas, americanizamos a história. A Jessica Chastain, que tem o protagonismo e também produz o filme, queria ver aprofundado o feminismo no filme. Existem assim várias mudanças, por isso não tenho a sensação que vou fazer o mesmo filme.”
Sobre essas conversas com Chastain, Masset-Depasse diz que tudo decorreu dentro do maior “respeito” e que foram bastante produtivas: “Ela é muito inteligente. É uma estrela, mas tem um discurso longe do vedetismo“.
O cineasta, que deu primeiro nas vistas com “Cages” (2006) e “Illégal” (2010), disse-nos ainda que as filmagens estão prontas para decorrer em maio e junho de 2022.
Um “patinho feio” em França?
Nascido em 1971 em Charleroi, na Bélgica, e apesar de contar com vários prémios no currículo, entre eles em Cannes (Prémio SADC na Quinzena dos Realizadores com “Illégal” e Locarno (Dans l’ombre, 2004), além de múltiplas nomeações e estatuetas aos Prémios do Cinema Belga (os Magritte), Olivier Masset-Depasse confessa que quando trabalha “pensa sempre no espectador” e lamenta que em França a crítica não goste muito dele. Filmar nos EUA nunca foi propriamente um sonho, mas reconhece que, tal como muitos cineastas europeus da sua geração, cresceu a ver filmes de Steven Spielberg, o que certamente o influenciou no seu cinema. “Se era um sonho filmar nos EUA? Sim e não. Vou principalmente para poder trabalhar com alguns atores, para ter os meios técnicos e também aprender. Mas acima de tudo porque sou um cineasta que não é bem compreendido pelos franceses, não podendo aceder facilmente a financiamento lá. A diferença entre a produção americana e a europeia é como a dos gregos e romanos. Nós [europeus] somos os gregos, eles os romanos. Toda a gente tem lá uma chance, aqui não. Talvez esteja a generalizar muito, mas sinto do outro lado uma energia que não encontro na Europa. Quando encontro um produtor americano ele diz-me: é este o género de filme, é para este tipo de público, e isto e aquilo. Eu adoro os produtores europeus, mas é diferente. Sim, temos apoios institucionais, mas existem claras vantagens do sistema americano“.

