Foi com esta frase que o ator e realizador Louis Garrel nos explicou porque o vemos tão poucas vezes no pequeno ecrã (conta-se apenas uma participação em “Le Bureau des legendes“), afirmando que prefere muito mais o “prazer coletivo” da experiência de ver cinema numa sala.
Presente em Cannes com “La Croisade” (“The Crusade“), terceiro filme – coescrito pelo falecido Jean-Claude Carrière – que segue as mesmas personagens de “O Homem Fiel”, no filme, Garrel e Laetitia Casta são Abel e Marianne, um casal que descobre que o filho vendeu secretamente objetos de valor da casa da família para financiar um misterioso projeto ecológico que ele e os amigos têm em África.
“É um filme sobre as crianças da geração Greta Thunberg”, explicou-nos Garrel em entrevista em Cannes, acrescentando que estes miúdos não “se limitam ao protesto, mas a um discurso construtivo”. Admitindo que causas como esquerda (comunismo) ou direita perderam força para estas novas causas, ecológicas, Garrel sugere que o que falta a esta juventude para ser mais ouvida é “marketing”, pequenas coisas como abandonar o termo “verdes”, politicamente conotado.

“Os miúdos de hoje como a Greta já não se dizem ecológicos de forma gentil. No nosso tempo nós não dizíamos: ‘as tuas ações afetam-nos. O habitat, a Terra as pessoas’. O problema muitas vezes é que os defensores da causa ecológica eram vistos como simpáticos, que plantam tomates, consomem produtos biológicos, etc. Esta nova geração não, percebeu que existem 15 mil cientistas que dizem que temos um problema, como no Canadá onde encontramos temperaturas como 50º C. Eles querem um Plano Marshall para combater a emergência climática. Não querem passar da quinta mudança para a quarta, querem travar. Acho isso genial. Estamos perante algo diferente, uma outra coisa além do tradicional comunismo ou outra fação política”.
Pegando na história do filme, onde um filho esconde dos pais que vendeu coisas deles para uma causa ecológica, Garrel admite que quando tinha 12 anos escondia muito dos pais, mas que essas omissões não tinham este sentido global, eram algo mais pessoal e egoísta, defendendo que esta nova geração vê mais à frente que a dele e a dos nossos pais.
“La Croisade” terá distribuição no nosso país, sendo de esperar uma estreia juntamente com algum evento ligado à emergência climática.

