Maria Bakalova: Estrela de Borat invade Cannes com drama no feminino

(Fotos: Divulgação)

Bastou apenas um filme para a carreira da Búlgara Maria Bakalova dar uma volta completa. Depois de interpretar a filha de Sacha Baron Cohen em “Borat 2” e de protagonizar alguns dos momentos mais marcantes do filme ao lado de Rudolph Giuliani, a atriz conquistou uma nomeação aos Oscars e foi mesmo convidada a juntar-se à Academia de Cinema de Hollywood. Agora, em Cannes, surge na Un Certain Regard em “Woman Do Cry“, um filme das realizadoras Mina Mileva e Vesela Kazakova.

Tal como no seu trabalho anterior, “Cat in the Wall” (2019), a dupla volta a contar uma história de ficção através de uma estética bastante colada ao cinema documental. 

No filme, a personagem interpretada por Bakalova descobre que tem SIDA, passando por várias discriminações, onde não falta um médico que recusa a atendê-la. Ao seu lado encontramos outras mulheres, entregues às mais variadas situações de subjugação do patriarcado. Bakalova entrega-se de corpo e alma ao projeto, ao qual acedeu através de um casting, ainda antes de ganhar o papel de Tutar em “Borat 2“. 

 “Foi através de uma audição aberta a todos. Foi uma audição louca e selvagem, com muita improvisação. Nisto atuamos de formas que nunca pensamos fazer, preparando-nos para as cenas mas deixando a intuição agir. A atmosfera na qual estávamos a filmar guiou-nos, ajudando-nos a ser mais autênticos. É preciso autenticidade no feminino, que é algo que tem faltado no cinema“, explicou ao C7nema a jovem atriz, numa entrevista em Cannes, onde se encontra a promover o filme. “Ainda hoje a SIDA é um estigma. Eu sofro da doença de Hashimoto e é para toda a vida, tal como a SIDA é.” Porém, quando se trata desta doença existe sempre um sentimento de que, se as pessoas a têm, é por responsabilidade delas, deu a entender a atriz: “É um tabu, talvez porque seja uma doença muito íntima. Mas para existir o tabu é porque a sociedade não fala muito disso. As nossas diferenças deveriam unir-nos, não afastar-nos. A comunidade LGBT ainda não é entendida pela sociedade patriarcal. Esta acha ainda que um homem tem de estar com uma mulher. Ela deve tomar conta do homem. Tem de fazer o jantar e não tem direito a uma carreira.”

Escolhida entre 100 atrizes para este papel, explicaram as realizadoras, Bakalova entrou literalmente para o seio da família (verdadeira) que é o centro deste filme. “Estamos sempre a ouvir falar de solidariedade masculina, mas não da feminina. Sim, como mulheres  podemos mostrar mais vulnerabilidade, mais sentimentos, mas somos ainda mais fortes, não apenas na exposição desses sentimentos, mas na forma como os ultrapassamos. Todas as mulheres deste filme estão conectadas, juntas. (…) Filmes como este funcionam como uma experiência social de como a sociedade vai reagir, que lado tomas e que tipo de pessoa vais ser. As tuas ações vão sempre provocar reações.“

Sobre o facto de o sucesso em Hollywood poder arrastá-la para um novo mundo, longe do cinema búlgaro, a atriz desvaloriza e diz que para já – mesmo com um mundo de agentes e filmes agendados no outro lado do oceano – não se vê a mudar muito a sua forma de ser, mesmo sabendo que o impacto de “Borat” alterou por completo a sua vida. 

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