Anima, Marraquexe!

(Fotos: Divulgação)

Marraquexe voltou a afirmar, em 2025, a sua ambição de se tornar porto seguro da diversidade animada global: esta 22.ª edição do festival inclui, na secção Cinema for Young Audiences & Families, uma selecção de animações internacionais variadíssimas em estilos e públicos — da fábula ecológica ao desenho destinado às crianças — revelando uma aposta clara: atrair famílias, jovens e amantes da animação, e provar que o cinema animado não é apenas entretenimento leve, mas também arte capaz de dialogar com o presente e sensibilizar diferentes gerações. Essa orientação evidencia o desejo do festival de expandir a sua audiência e de enriquecer a experiência cinematográfica com vozes autorais de todo o mundo.

Entre os títulos de animação anunciados para 2025 em Marraquexe, destaque para Arco, de Ugo Bienvenu, que deixou Annecy com o prémio Cristal.

Na sua trama, Arco, um miúdo de dez anos, vive no ano de 2932, num futuro distante onde a viagem no tempo através de arco-íris é possível. Durante o seu primeiro voo a solo por um arco-íris, desvia-se da rota e acaba por viajar acidentalmente até ao ano de 2075. Aí conhece Iris, uma jovem cujo mundo está marcado pelas alterações climáticas, pelas cidades sob cúpulas e pelo colapso ambiental. Iris ajuda Arco a orientar-se neste tempo desconhecido, enfrentando os perigos e as maravilhas de um futuro próximo que mudou drasticamente em relação ao nosso presente. Juntos, procuram uma forma de Arco regressar a casa, criando um laço improvável e terno através do tempo.

Marraquexe (revê) ainda Guillermo del Toro’s Pinocchio, a mais recente versão animada do clássico conto de Carlo Collodi, assinada pelo mestre do fantástico, que será homenageado em Marrocos e participa também na secção de entrevistas Conversas. O seu filme, vencedor do Oscar em 2023, conjuga a magia da animação com a imagética sombria e sofisticada típica do realizador.

Da safra mais recente do cinema europeu, Marrocos acolhe The Songbirds’ Secret (original Le Secret des Mésanges), de Antoine Lanciaux, uma animação destinada ao público jovem e familiar. A película aposta num universo sonoro e visual sensível, convidando à empatia com personagens entrelaçadas por segredos e melodias.

Tummy Tom and the Lost Teddy Bear,

O pacote de invenções de animadoras e animadores inclui Tummy Tom and the Lost Teddy Bear, de Joost van den Bosch & Erik Verkerk. O enredo tem como protagonista o felino Tom, um pequeno gato ruivo e travesso. É curioso e alegre… e um pouco impulsivo. Quando perde o seu peluche favorito — aquele com o qual dorme todas as noites desde que era um gatinho — é um verdadeiro desastre. Não há hipótese de ficar de braços cruzados: tem de o encontrar. Felizmente, Tom pode contar com o Ratinho, o seu melhor amigo, para o acompanhar nas aventuras que se seguem. E assim partem numa expedição alucinada: não há um único lugar que não vasculhem. Onde raio terá ido parar aquele brinquedo?

Falando de gatos marotos, Flow, vencedor do Oscar para a Letónia, também passa pelos ecrãs marroquinos até ao fim da semana.

A programação das animações de 2025 demonstra que Marraquexe não pretende continuar a ser apenas um festival de cinema tradicional: ao integrar obras animadas de diferentes proveniências e estilos — da fantasia sombria à fábula ecológica, da aventura infantil à animação autoral — o festival reforça a sua missão de diversidade cultural e cinematográfica, abrindo espaço a públicos variados e a novas formas de expressão artística.

Com esta selecção, o festival oferece não só um cartão-de-visita vibrante da animação mundial actual, mas também uma ponte entre gerações: crianças, famílias, jovens adultos e cinéfilos exigentes. A aposta revela que Marraquexe quer ser, cada vez mais, um laboratório de cinema onde a animação ocupa lugar de honra — e conquista pelo mérito narrativo, gráfico e emocional.

O 22.º Festival de Marraquexe decorre até 6 de Dezembro, quando o júri presidido por Bong Joon Ho, realizador do oscarizado Parasitas (Palma de Ouro de 2019), anunciará as produções vencedoras, entre treze concorrentes. Karim Aïnouz, realizador cearense vindo do Brasil e consagrado por A Vida Invisível (2019) e Madame Satã (2002), é o único representante da língua portuguesa — e da lusofonia — no júri. O encerramento reserva espaço para a projeção do épico Palestina 36, de Annemarie Jacir, com Jeremy Irons.

Link curto do artigo: https://c7nema.net/d6m7

Últimas