Grécia. Cenários idílicos, clima perfeito. Festas de dia à noite. Drogas, álcool, música, dois solteiros bonitos e descomprometidos. São estes os elementos base do filme de Argyris Papadimitropoulos.

Numa noite mediterrânica quente e sexy, Mickey (Sebastian Stan) e Chloe (Denise Gough ) começam um romance livre e divertido que resvala precipitadamente para algo mais sério: a partilha de uma casa, de amigos, de dramas familiares. Mas chegará a paixão ou até mesmo o amor para superar a vida real e as diferenças de postura perante a vida, a profissão e os valores entre os dois elementos do casal? A resposta que o realizador grego nos dá encaminha-se para o não, mas o fim fica em aberto e a dúvida permanece no ar.

Mickey é um músico e dj, um homem que vive de momentos, sem pensar no futuro, que se recusa a assumir responsabilidades e sobretudo, com dificuldade em crescer. Chloe é uma bem-sucedida advogada especializada em imigração. Ambos vivem em Atenas, ele há mais anos, ela prestes a voltar aos Estados Unidos. Após vários encontros tórridos, Mickey consegue convencer Chloe a permanecer na Grécia. Quando começam a partilhar a casa e o quotidiano, as diferenças começam a acentuar-se e a afastá-los. A empatia só tem lugar quando recorrem a álcool ou drogas. O egoísmo de ambos os elementos do casal e a sua incapacidade de controlar impulsos e a opção por enveredar em atitudes autodestrutivas tomam conta das suas vidas, levando-os mesmo a irreais estadias na prisão.

Drake Doremus já nos tinha mostrado em “Endings, Beginnings“(título nacional: “(Re)Começos“) esta faceta mais romântica de Sebastian Stan, mas é bom ver o ator para lá do universo Marvel. Entre Stan e Gough há uma boa química. Se Stan volúvel e hedonista, Gough é mais forte, responsável e confiante, apesar de abdicar destas valências ao entrar de alma e coração numa paixão incógnita.

A história criada por Papadimitropoulos em parceria com Rob Hayes mostra os altos e baixos de um relacionamento em que os bons momentos são eufóricos e perfeitos, os maus, feios e violentos. O argumento não é perfeito, tem falhas, seja através de cortes temporais seja pela ausência de nuances entre a própria relação das personagens – momentos de paixão repletos de química sobrepõem-se a momentos em que a ligação entre ambos é inconsistente e fica a dúvida, será que gostam mesmo um do outro? Mas será isso uma lacuna ou uma chamada de atenção perante possibilidade de não existirem histórias de amor perfeitas?

Monday” é uma história sobre amor à primeira vista que não é pintada numa tela de romance perfeito mas um apontamento real que questiona se deveremos mesmo entrar numa relação sem conhecermos melhor o outro ou sem o outro nos conhecer a nós? Talvez sim, talvez não…

Pontuação Geral
Sofia Santos
monday-amor-com-prazo-de-validadeDrake Doremus já nos tinha mostrado em "Endings, Beginnings"(título nacional: "(Re)Começos") esta faceta mais romântica de Sebastian Stan, mas é bom ver o ator para lá do universo Marvel