As boas interpretações, entre o assombro e a quase explosão, respetivamente de Stanley Tucci e Colin Firth, seguram este “Supernova” na teia do drama intimista de um subgénero que nos últimos anos produziu obras massivamente impressionantes como “Vulcano” de Rúnar Rúnarsson, “Amor” de Michael Haneke e “Still Alice” de Richard Glatzer e Wash Westmoreland – ou mais atrás, do doloroso “Mar Adentro” de Alejandro Amenabar. Filmes que não são sobre a doença, ou uma qualquer condição médica em si, mas sobre o amor e a forma de carregar o fardo da tragédia que se avizinha a dois. “Hope” de Maria Sodahl, já este ano, também jogava na mesma liga.
Este novo projeto de Harry Macqueen, cujo “Hinterland” de 2014 galgava por terrenos do amor e da forçosa mudança, trilha agora por caminhos pedragosos em direção à demência e ao tomar a decisão, ainda numa fase de discernimento e de capacidades mentais máximas, da estratégia a aplicar quando o nosso corpo começar a não se reconhecer a si mesmo.
Tucci e Firth interpretam um casal, junto há décadas, onde o seu estatuto de privilégio e vivências – um é um escritor respeitado, o outro um músico – encontram na doença um beco repleto de tantas incertezas, como de confusão e dúvidas. Sem hipóteses de dar a volta à linha da vida que conduz à morte, resta escolher como assumir esse destino inevitável; como vivê-lo, sempre lembrando que a dor e tragédia ultrapassam a esfera do condenado, e atingem todos os que o conhecem, em particular os familiares, mas acima de tudo a pessoa com quem se escolheu partilhar a vida.
Macqueen entrega tudo embrulhado na forma de uma road trip libertadora e meditativa de um duo sempre vestido pela perplexidade perante um diagnóstico que – não só os leva a colocarem em pausa as suas vidas e carreira – como não se afigura com respostas fáceis sobre o presente e futuro. No meio disto, o cineasta mantém uma toada, um ritmo, uma atmosfera que se coze permanentemente em lume brando, sem qualquer tentativa forçada de manipulação e exploração dramática da condição humana, ou de um passeio à decadência (veja-se o recente “Capone”), mas também oferece uma racionalidade e pragmatismo difíceis de absorver no meio de tanta repressão de sentimentos e decisões.
No final, temos assim um filme delicado, suavemente tortuoso, capaz de vingar nesta época de prémios mais pela prestação dos seus atores, do que pelo seu conjunto como cinema, quanto mais não seja pelo selo de derivativo da temática e pelo tom de placidez que o cineasta impõe, que inevitavelmente nos leva a manter uma certa distância emocional sobre o par em cena.















