Numa época em que as mulheres lutam pela igualdade, mas sobretudo pelo respeito e por não serem limitadas à sua sexualidade, e sobretudo numa altura em que a sororidade está na ordem do dia, este filme francês não acrescenta nada à causa, aliás, bem pelo contrário.

Obviamente que estas palavras podem e devem ser discutíveis, porque a forma como se vê um filme, não é, felizmente, igual a todos os espectadores. Para a autora destas palavras, “MILF” reúne todos os clichés possíveis e imaginários; ora verifiquem: uma viúva, uma divorciada e uma mulher que vive uma relação com um homem casado e que acredita na mentira de que um dia, deixará a mulher. Ora bem, como se estas banalidades não fossem já por si suficientes, os autores e realizadora juntou três adolescentes sexy’s, cheios de saúde e tudo isto, num tendo como cenário, um local idílico.

O filme protagonizado, realizado pela atriz e humorista Axelle Laffont, estreou em 2018 e conta a história de Cécile (Virginie Ledoyen), Sonia (Marie-Josée Croze) e Élise, três amigas de longa data que partem para a Côte d’Azur com a missão de esvaziar a casa de uma delas para que possa ser colocada à venda. Durante esses dias, conhecem três jovens, que, divertidos e atraídos por estas mulheres na casa dos quarenta anos, tentam seduzi-las.

O próprio título é um problema, pois além de não ser novidade (no que à titularidade diz respeito), é um dos termos mais pesquisados em sites pornográficos. Para quem não sabe, o termo “milf” ganhou todo um novo alento com “American Pie” e significa à letra “mom I’d like to fuck” (em português, “mãe que eu gostava de foder”), sendo que em francês, a sigla pode ser traduzida por “MBAB” (“mère bonne à baiser”).

Numa das várias tentativas de inclusão de humor, há uma “discussão” entre as seis personagens do filme acerca da diferença entre o termo “milf” e o termo “cougar”, que designa mulheres de meia idade que procuram a companhia casual, geralmente sexual, de homens mais jovens, normalmente menos dos trinta anos. Na verdade, o termo é praticamente a mesma coisa, sendo que um é mais utilizado para designar o comportamento masculino e o outro, o feminino.

Não há nada de bom neste “MILF”, nada. A tentativa desesperada de ser engraçado e ao mesmo tempo sexy, coloca o filme no limbo de não ser nenhuma das suas coisas, sendo que o mais grave de tudo é o facto de que nada beneficia no retrato das mulheres de quarenta anos e do saber envelhecer dignamente.

A opção de ser ousado, as cenas de sexo e os diálogos mais picantes, saem ao lado. Aliás chegam mesmo a envergonhar os espectadores. E as tentativas de romantismo ou referências ao luto, são mesmo desrespeitosas. Mas se as três mulheres não são bem retratadas, os três jovens também não são, pois neste filme ninguém recebe um retrato lisonjeiro.

A ideia chave, a verdade e as dificuldades dos relacionamentos intergeracionais não são bem retratada. É que mesmo as comédias podem ter uma linha condutora e uma lição além do óbvio mas “MILF” não. Tudo é aligeirado e óbvio da pior forma possível. São 90 minutos que parecem 180, encaixados numa narrativa cheia de gente bonita, atlética e pouco ou nada empática…

MILF” é a evitar.

Pontuação Geral
Sofia Santos
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