
Falar de Colin Farrell(CF) é falar de sotaque irlandês e whisky, é falar de maltrapilho e de “Bad-boyismo“. Ora, para isto não é necessário qualquer preparação para o papel. Contextualizando: No início do séc. XX, Peter Lake (CF) é um ladrão em conflito com o seu ex-patrão, que por acaso é um demónio num corpo humano, Pearly Soames (Russell Crowe). Ao ser perseguido por Pearly, Peter encontra um cavalo branco, dá-lhe o nome (original) de Horse e este leva-o ao seu amor verdadeiro, a bela Beverly Penn (Jessica Brown FIndlay). Infelizmente, esta sua amada sofre de tuberculose e resta-lhe pouco tempo de vida.
Depois disto, a história dá imensas voltas e temos ainda direito a ver Will Smith fazer de Lucifer (com direito a dois brinquinhos à George Michael).
Aqui chegamos às grandes falhas do filme: para além dos variadíssimos sotaques de alguns dos personagens (o que não chateia assim tanto), somos surpreendidos com a falta de empenho e de estudo do elenco masculino da obra. A única pessoa que parece que leu o guião foi Jessica Brown. Ela consegue dar alguma beleza e carisma a um filme que se perde em todas as frentes. Fantasia, história de amor, ficção científica? Temos uma espécie de Hellraiser (Fogo Maldito) misturado com O Diário da Nossa Paixão e fogachos de Para a minha Irmã, sem que nunca se assentasse em algum género. Assim, e tendo quase duas horas, teve a capacidade de ser vazio. Não agarra enquanto história de amor e enquanto fantasia não aprofunda o suficiente.
Enfim, depois de cavalos, demónios e belzebus, o balanço é desastroso. Tentou ser tudo, acabou sem que sobrasse lembrança para contar. Ideal para ver no dia dos namorados, se o objetivo não for tomar atenção ao filme.
O Melhor: Jessica Brown Findlay
O Pior: Tudo o resto

Nuno Miguel Pereira

