«All Is Lost» (Quando tudo está perdido) por Dias Martin

(Fotos: Divulgação)
 
 
O nosso homem é duro, calmo e enfrenta uma situação limite da sobrevivência. Poderia ser o início de um qualquer filme de ação dos anos 80, mas não. Neste filme temos um homem com uma provecta idade e um barco em alto mar e, ao contrário do esperado, nesta história rareiam os momentos calmos ou aborrecidos.
 
Quando um contentor à deriva acidentalmente embate num veleiro, inicia-se uma série de acontecimentos que põe à prova os nervos e a confiança de um experiente marinheiro. Sendo que pouco espaço existe para o erro e para a falta de preparação. Este embate será intenso e contra um dos mais ferozes adversários: a Natureza. O nosso homem (nome como é referido na lista de créditos), calmo e com inúmeros conhecimentos, enfrenta assim as maiores adversidades e segue tentando ultrapassá-las, embora a natureza, a maior força de todas, seja cruel.
 
J.C. Chandor, o realizador que já nos tinha trazido Margin Call, dirige de forma por vezes quase documental, colocando-se muito perto do protagonista – o que reforça os ambientes e a sensação de, apesar de se estar no alto mar,  claustrofobia.
 
Este filme só com um personagem ganha outros dois que constantemente dialogam com o protagonista: o veleiro e o som. Este, o som, assume um papel fundamental. São estes que convocam os ambientes mais tensos, anunciam as situações de perigo, são a eles que o protagonista tem de escutar para poder avaliar a sua situação. É no som que a imersão no filme se torna total. Será de salientar que o filme tem um número ínfimo de diálogos e são as imagens que convocam o significado dos acontecimentos e fazem progredir a ação, como tantas vezes e em outros filmes não sucede. Como aspeto menos positivo alguns momentos CGI que seriam dispensáveis – em especial alguns aspetos da vida marinha, bem como por vezes a banda sonora, a música, ofusca a riqueza do som da cena que certamente na ausência desta seria muito mais eficaz.
 
Este é um filme tenso, um ótimo thriller, que o deixará preso a esta aventura dramática, onde se soma uma interpretação notável de Robert Redford.
 

O melhor: A edição de som e a interpretação de Robert Redford.

O pior: Alguns momentos da banda sonora que retiram o foco da cena.

 

Dias Martin

 

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