«Hours» (Horas) por Nuno Miguel Pereira

(Fotos: Divulgação)

Dia 1 de dezembro foi um dia triste para Hollywood (e não só). Gostando ou não de Paul Walker enquanto ator, ele era bem-amado na comunidade. Com a sua morte precoce, não espantará que os seus “próximos” filmes sejam sucessos de bilheteira. No entanto, sucessos de bilheteira não significam sucessos artísticos. Felizmente, Horas, parece ter alguma qualidade a esse nível.

A história passa-se durante o furacão Katrina. Nolan Hayes (Paul Walker) acaba de perder a mulher e fica com uma filha recém-nascida nos braços, que precisa de estar ligada às máquinas, durante 42 horas, para conseguir respirar.

Infelizmente, com o furacão, todo o hospital fica rodeado de água e sem eletricidade. Agora, Nolan tem de manter a sua filha viva dando à manivela numa bateria que encontra. Pior; fica sozinho no Hospital.

Como a descrição pode indicar, estamos perante um filme onde o sucesso da obra depende da atuação do protagonista. Nesse sentido, Paul Walker tem talvez a melhor atuação da sua carreira e consegue ser uma espécie de one man show, um pouco à semelhança do que aconteceu com Ryan Reynolds em Buried (onde a ação se desenrolava num caixão). Aqui, apesar da história se passar dentro de um hospital, o ambiente é igualmente claustrofóbico. Para além disso, conseguimos criar empatia com o protagonista, que impõe um grande ritmo no filme, apesar de passar a maior parte da ação sozinho.

Todavia, a existência de flashbacks para explicar a personagem, é algo exagerada e deixa de fazer sentido a partir de metade do filme. Depois, somos bombardeados com a banda sonora cliché e com a previsibilidade do final.

No fim, a sensação com que ficamos é que o filme é o resultado da interpretação do ator e a forma como Eric Heisserer realizou o filme, apenas o prejudicou. Talvez, com uma outra direção, pudéssemos ter tido uma obra mais ambiciosa e interessante.

O melhor: A interpretação de Paul Walker
O pior: A previsibilidade do enredo e o excessivo recurso a flashbacks.


Nuno Miguel Pereira

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