Curioso exercício de se tentar fazer um thriller exclusivamente a partir da perspetiva das milhares de câmaras de vigilância espalhadas por Paris – somadas as webcams caseiras. Isso ocorre quando um hacker consegue romper todas as barreiras informáticas e aceder a tudo o que se passa na cidade, façanha que lhe vem a ser particularmente útil quando um atentado terrorista numa estação provoca dezenas de mortos.
A possibilidade de visualizar aquilo que andam a fazer os principais envolvidos no ato, que em termos de investigações oficiais seguem sem ser perturbados, vai-lhe permitir ser uma espécie de Deus, monitorizando e controlando as ações das personagens. Sem maiores sobressaltos por um bom tempo, enquanto as suas descobertas acumulam-se, as coisas só pioram quando os acontecimentos começam a fugir ao seu controlo – despertando-lhe, ainda para mais, um indesejado envolvimento emocional com aquilo que vê.
A fruição do resultado desta ideia inventiva depende muito da capacidade de abstração do espectador. Se é um facto que um complexo e bem executado trabalho de edição garante um ritmo elevado, para além de uma banda sonora adequada ajudar a garantir a tensão, por outro a obra parte de uma premissa demasiado irrealista. Neste sentido, o argumento não consegue evitar o anti naturalismo das cenas quotidianas quando não explica existir a possibilidade real das webcams serem ligados por um pirata informático, nem tampouco que dificilmente haveria uma conexão de câmaras passível de ser manipulada com a rapidez e na escala que o filme apresenta.
O Melhor: a edição e a banda sonora
O Pior: um ponto de partida demasiado irrealista

Roni Nunes

