A grande dúvida no que se refere a James Franco é o quanto ele consegue ser eficaz (ou mais do que isso) numa carreira que em termos de quantidade tem tanto de extraordinário quanto de megalómano. Só em 2013, o ator lança três projetos como realizador, o mesmo número previsto para 2014!
Se por um lado parece simplesmente presunção, por outro ninguém o pode acusar de falta de autoconfiança: depois de abordar a vida de um poeta de referência nos Estados Unidos, Harold Hart Crane, em The Broken Tower, ele aqui lança-se num dos maiores romances do século XX – o livro homónimo (no título em inglês) de William Faulkner. A história gira em torno de uma família da zona rural cuja mãe acaba de morrer. Em função de uma promessa feita pelo marido, ele e os seus quatro filhos embarcam numa difícil jornada para enterrá-la no lugar que lhe é destinado, numa odisseia marcada por superstição, ignorância e tragédia.
Franco revela logo a partida uma leitura visual notável da aridez estilística que Faulkner usava para traçar os seus panoramas da sociedade sulista plena de desespero contido. Algures entre a pretensão e a eficácia, ele lançou mão de split screen (que se revela um excelente recurso) usa closes, slow motion e, para reinventar o artifício literário do uso de várias perspetivas, põe os atores a fazer citações de forma quase documental.
A verdade é que, especialmente na primeira metade, tudo isso funciona bem, assim como o uso da chuva e da tempestade, criando para os seus personagens uma atmosfera sufocante, plena de morte, loucura e desespero. A tragédia interior torna-se bastante palpável, interligada aqui e ali por belas frases/imagens de efeito.
O problema é que, a partir de certa altura, a falta de maturidade de Franco começa a tornar-se bastante óbvia, com o filme a perder claramente a força e que culmina numa solução, muito por culpa da sua própria atuação canastrona, que é um verdadeiro anti-clímax. Para além disto, há que se referir que a teatralidade com que os seus personagens quase proclamam verdades filosóficas nem sempre está de acordo com o seu estatuto social e cultural – pois afinal eles são camponeses sem instrução.
Ainda assim, não deixa de haver méritos para a ousadia de Franco. Resta saber o que ele terá aprendido para as suas novas empreitadas fílmico-literárias – que abrangem Cormac McCarthy (Child of God), Bukowski (filme homónimo) e outro clássico de Faulkner, O Som e a Fúria.
O Melhor: o ambiente opressivo alcançado na primeira metade
O Pior: o final, especialmente pela atuação de James Franco

Roni Nunes

