Concerto da banda com o palco montado no centro da arena, abrindo todas as possibilidades para operações de travellings e panorâmicas fundirem-se a pirotecnias diversas, que incluem estátuas a desabarem e até uma “avaria” que resulta em dois “feridos”.
Paralelamente, intercala-se os números musicais com uma história pós-apocalíptica tão visualmente estilizada quanto miserável em termos de “enredo”: um membro da equipa, interpretado por Dane DeHaan, é enviado a outro ponto da cidade para recuperar uma mala com algo que a banda “precisava para aquela noite”. A trajetória, no entanto, revela-se plena de incidentes sem qualquer lógica – que incluem desde batalhas campais entre polícias e manifestantes, autoimolações, enforcamentos e um cavaleiro mascarado – e que servem, nitidamente, para produzir imagens de efeito. Se era uma piada de Nimród Antal (de Predadores) em utilizar um McGuffin sem lhe dar uma solução, ela não teve muita graça.
Na verdade, ao se pensar na característica surrealista intrínseca aos telediscos, para usar uma expressão simpática, essa odisseia cheia de pantomina em 3D até calha bem com o som cinemático da banda. Mas se o ponto for ter algo de atrativo para quem não for apreciador dos Metallica, não há realmente nada em Through the Never que o faça – uma vez que também não contempla cenas de bastidores ou de qualquer outro género.
Já para quem é fã é só escolher o seu melhor momento diante da muralha sonora potencializada pelo IMAX – desde o clássico antimilitarista “One”, petardos como “Master of Puppets” ou “Battery” e onde mesmo músicas vulgarizadas pela exposição massiva nos media ao longo dos anos, como a belíssima “Nothing Else Matters” (a única conceção às baladas neste concerto) e “Enter Sandman”, ganham versões entusiasmantes. A performance desta última, aliás, guarda uma grande surpresa – que introduz um final ao som de “Hit the Lights” – onde os Metallica retornam aos tempos de garagem do primeiro álbum, “Kill Em All”. Um final perfeito para uma banda que significa isso mesmo – uma demonstração de como tornar-se grande sem deixar de ser fiel a si própria.
O Melhor: para os fãs, a música
O Pior: não tem maiores atrativos para não fãs

Roni Nunes

