Espécie de telenovela com elementos hippies, com citações cultas, personagens politicamente corretos, nenhum sexo, alguma droga e pouco rock’n’roll. O que há em fartura por aqui é açúcar.
Diane (Catherine Keneer) acaba de ser abandonada pelo marido quando decide, repentinamente, pegar nos dois filhos adolescentes (Elisabeth Olsen e Nat Wolff) e rumar para a casa da mãe, Grace (Jane Fonda), que não vê há 20 anos. A decisão não faz muito sentido quando Diane é uma advogada sisuda e frustrada e, ainda por cima, furiosamente revoltada pela criação que teve da mãe “cabeça no ar“. A fazer justiça ao lugar onde vive, nada menos que a mítica Woodstock, Grace, por sua vez, parece planar em algum momento do passado, onde ainda se fumam charros ao pequeno-almoço e se fazem protestos contra a guerra.
Nada aqui é muito sério. Excetuando a personagem de Keener, a única que dá a sua intérprete algumas possibilidades, Olsen é desperdiçada num romance banalíssimo e palerma, assim como Jane Fonda, cuja panóplia de clichés a transformam numa caricatura. Já a cultura dos anos 60 não leva nada que mereça falar de uma “homenagem”, embora tampouco seja uma crítica: tudo circula, e a personagem de Fonda é o melhor exemplo, num lodoso limbo onde nada sai do lugar-comum – a plantação de cannabis, as histórias de sexo com rock stars, as manifestações ridicularizadas. A proposta não é, obviamente, a mesma, mas fica-se a pensar no belíssimo tratamento dado ao assunto por Robert Redford em Regra de Silêncio.
Quanto ao veterano realizador Bruce Beresford, nem ele deve se levar a sério o suficiente para tentar dar credibilidade a três histórias românticas em simultâneo, cujos conflitos resolvem-se com as típicas facilidades das soap operas. Disto resulta uma obra tão leve quanto o balão que Diane manda para o céu para se libertar da sua personalidade oprimida. Facto que, em si, não é nem bom nem mau: Paz, Amor e Outras Confusões beneficia de um bom elenco, algumas piadas com graça e uma mensagem simpática.
O Melhor: algumas piadas e um resultado geral simpático
O Pior: romances de telenovela sem profundidade e muito açúcar

Roni Nunes

