Paolo Sorrentino embarca no seu fresco gótico, uma espécie de Roma de Fellini, e que seguimos o magnata Jep Gambarella (o inevitável Toni Servillo, servido pelo mais extenso guarda roupa) num caleidoscópio de festas mundanas e encontros mais ou menos vazios com uma procissão de personagens.
Tal como o olho omnipresente da sociedade italiana, a câmara executa um bailado audacioso, como que a acentuar todo esse excesso de vácuo. É inegável a beleza, sem dúvida, propositadamente artificial, incompreensível por vezes, tal como fascinante é Jep nesse seu planar sobre a sociedade italiana.
Percebe-se que Sorrentino não tenta apropriar-se ou copiar La Dolce Vita – seria por demais evidente. Quanto a nós, limitamo-nos a seguir esse estado de letargia.

Paulo Portugal

