Adaptação de uma série televisiva japonesa de 2007 que insere-se mais num registo de humor negro com algum gore do que propriamente horror, o que em si, obviamente, não torna o filme menos interessante.
Com aquela característica cómica muito particular das curtas-metragens, o realizador Koichiro Miki vai alternando pequenas peças anedóticas (dependendo do sentido de humor do espectador) com a história mais longa de uma operadora de call center que tem uma relação com o chefe e, ao mesmo tempo, é responsável por atender no trabalho uma tenebrosa cliente que descobre ser sua vizinha.
Subúrbios, comboios, autocarros, emolduram a vida típica da capital japonesa, por onde circulam as trabalhadoras assediadas de Goose Bumps, aterrorizadas pelos mais diversos males. Tão quotidianos quanto isso são os objetos de onde emanam os seus pesadelos, uma proposição, de resto, expressa do filme: evitar o sobrenatural e criar o terror com base em telemóveis, telefones, campainhas e caixas de correio.
Há espaço para alguma violência, mas mesmo essa aparece com um forte travo cómico – como na cena em que uma mulher espanca até a morte um homem que andava a assediá-la. Com muita leveza e uma perfeita construção do argumento, Miki constrói um filme mais agradável do que aterrorizante e, sobretudo, extremamente divertido.
O Melhor: a inventividade das histórias e a construção do argumento; a comicidade
O Pior: o resultado final não chega a ser transcendente

Roni Nunes

