Os eventos podem ser estranhos, mas isso automaticamente não os transforma em relevantes. Esse parece ser o maior problema (e contrariedade) de A Strange Course of Events, um filme do franco-israelita Rafael Nadjari, que após Tehilim (2007) regressa às relações familiares, acompanhando Shaul (Ori Pfeffer), um quarentão com o casamento arruinado que regressa a Haifa para visitar o pai que não vê há cinco anos.
Essa transição, que atenta a algumas particularidades do território, tem momentos de humor, especialmente quando o homem é confrontado com a namorada do pai, uma mulher New Age bastante espiritual que mesmo não querendo funciona de certa maneira como um bloco a um já de si relacionamento problemático – e com telhados de vidro – entre o filho e pai.
Já a inabilidade de interacção social de Shaul é visível em toda a obra, mas a forma como a personagem e o filme se fecham em si mesmo no que toca a explicações , acaba por funcionar mais contra a fita do que a favor, pois este estudo da personagem revela-se insuficiente para que o espectador entre ou crie uma especial empatia com qualquer um dos intervenientes.
No final chega-se assim a uma sensação de inconsequência, ainda que seja óbvio perceber a tentativa de mostrar as dificuldades em reatar relacionamentos após um descarrilamento emocional.

Jorge Pereira

