«Le Passé» por Paulo Portugal

(Fotos: Divulgação)

O iraniano Asghar Farhadi poderia ter sido o vencedor da Palma de ouro. Seria o filme por quem o júri, liderado por Spielberg, terá vacilado. E com todo o mérito, diga-se.

Nesta fita que sucede a A Separação, vencedor do urso de Ouro em Berlim, Farhadi como que retoma alguns dos temas já abordados nessa obra. Porém, agora a trama desenrola-se em Paris num triângulo amoroso entre Bérénice Bejo (O Artista), Ali Mosaffa e Tahar Rahim. Mosaffa é Ahmad, um iraniano que viaja de Teerão para Paris a fim de regularizar o divórcio com a ex-mulher Marie (Bejo), o que acaba por produzir a insegurança do atual companheiro Samir (Rahim) e até dos filhos de ambos.

É neste caldeirão de emoções que Farhadi cozinha com perícia e elegância algumas variantes morais da família e amor,  envolvendo-nos de forma arrebatada ao longo das mais de duas horas de filme. E só mesmo quando um plot se torna demasiado complexo para encaixar numa narrativa que flui com a maior naturalidade a um passado que quando se toca acaba por tornar-se imprevisível.


Paulo Portugal

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