Foi a primeira agradável surpresa do festival. Com Ozon a demonstrar que está num período particularmente fértil da sua carreira – ele que nos confirmou que pretende fazer um filme por ano. Mas pouco mais de seis meses depois do inspirado e imaginativo Dans la Maison, eis que o realizador francês explora uma ideia que nasceu durante o projeto anterior, amadurecendo uma outra ousadia da adolescência, sempre dentro de um contexto de burguesia familiar.
Desta feita para abordar a perda da inocência, leia-se virgindade, por parte da bela Léa, numa composição arrebatadora de Marine Vacth, tornada uma estrela instantânea. A partir do momento em que esta menor cumpre tal desígnio sexual, com um firt de verão, mal tem tempo para apreciar a sua condição de borboleta saída do casulo, para se prostituir gerindo o seu próprio site de encontros com homens de meia idade.
Sempre com a classe de Ozon, paredes meias com alguma perversão e diversos níveis de leitura neste jogo algo vicioso. Até porque nunca pretende ser moralista ou fazer qualquer juízo de valor.

Paulo Portugal

