«Tau Seru» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

O cinema sempre gostou de mostrar indivíduos presos no tempo e a viver em condições extremas, normalmente associadas a tradições seculares e desejos de honrar um passado ancestral. Nanook of the North , Urga, Atanarjuat, Arrieros, Old Dog e Tulpan são bons exemplos disso, não só por mostrarem esses estilos de vida “em desuso” num mundo cada vez mais global, mas porque confrontavam as suas personagens com a modernidade criando paradoxos e a tentação da mudança.

Tau Seru segue também esta linha, infelizmente não acrescentando nada ao género para além de apresentar uma espécie de inevitabilidade do destino um sinal dos tempos e da invariável curiosidade humana. Nesta curta estamos nos Himalaias, onde um jovem vive com o pai. É numa paisagem inóspita que os dois criam ovelhas, naquela que parece ser a sua única tarefa e saída para a sobrevivência. O realizador australiano Rodd Rathjen procura de forma calma mostrar a necessidade do jovem em descobrir algo mais que aquela vida, utilizando a proximidade das personagens e as próprias ovelhas como uma metáfora para que o espectador perceba o que é que está em jogo. O recurso muitas vezes a planos gerais e a ausência de diálogos, típicos neste tipo de filmes, serve também para dar a sensação de isolamento e das próprias dificuldades físicas em sair desta vida.

Contudo, e apesar da boa construção, Tau Seru acaba por ser apenas e só mais uma história deste género, servindo mais como um cartão de apresentação do cineasta e das suas capacidades técnicas na condução de uma narrativa, do que como filme em si.


Jorge  Pereira

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