Este documentário de Victor Kubicek e Derek Anderson, apropriadamente intitulado de In God We Trust, segue Eleanor Squillari, a ex-secretária de Bernie Madoff, e como ela auxilia o FBI a recuperar os milhões de dólares perdidos através do esquema Ponzi do presidente da sociedade de investimento.
No filme, Eleanor explica as suas motivações para ajudar o FBI, até porque está desempregada (ter sido secretária de Madoff durante 25 anos assassinou o seu curriculum) e porque também se sente culpada em ter sido tão cega durante os anos que trabalhou com ele. Curiosamente, e logo no início, Eleanor revela as suas bases (mãe ausente, pai violento) e como isso pode ter contribuído para a sua falha em não ter visto os sinais. Ela contextualiza então a sua situação ao dizer que Madoff ofereceu-lhe mais que uma carreira, pois incluiu-a também na familia. Esta visão mais abrangente é interessante, tal como é a investigação do caso. Porém, e infelizmente, o processo como tudo é mostrado soa muito mais a uma reencenação do que efectivamente uma investigação em tempo real. Nisto não ajuda nada a narração, que vai explicando redundantemente à audiência como ela faz os contactos e chega às conclusões.
Retratada como uma heroina, Eleanor é divertida de se ver. Ela é simpática, honesta, curiosa e inteligente. Como exemplo temos o facto de ter mantido alguns documentos dos quais tinha instrucções para destruir, apenas porque achou que um dia poderiam ajudar em outras tarefas. Esses documentos, onde se incluem uma agenda de Madoff e o registo de chamadas, acabam por ser fundamentais para mostrar o envolvimento de Sonja Kohn e Jeffrey Picow, dois dos maiores beneficiarios do esquema. Ao mesmo tempo ela implica igualmente no caso alguns cumplices de Maddof, como Frank DiPascali Jr, Joann Crupi e Annette Bongiorno, todos empregados de Madoff e todos responsáveis pela falsificação de documentos.
Com isto, e de certa maneira, In God We Trust é uma história de redenção, mas vai bem além disso pois convida também o espectador a pensar sobre como podemos identificar a nossa autoestima, o que é um tema universal com que todos se podem relacionar.
O Melhor: O facto da história ser contada a partir dos olhos da sua secretária particular
O Pior: O uso de voice over para contar a história

Joanna Rudolph

