Saturadas de uma inútil guerra civil que está a matar os homens da aldeia, um grupo de mulheres libanesas vai fazer de tudo para por um fim à tragédia que desde sempre fustiga a sua aldeia. Aí vivem muçulmanos e cristãos, mas frequentemente há querelas por todo o território que instigam a violência entre as duas fações localmente. O objetivo delas é travar esse conflito dentro da aldeia e para isso arranjar mil e uma maneiras de as notícias do exterior não chegarem ao local, mantendo assim a paz num espaço em que tantos já perderam os filhos nas guerras religiosas.
“E agora, onde vamos?“, o regresso de Nadine Labaki depois de “Caramelo“, um filme onde as mulheres também comandam a ação e questionam a predominância dos homens na sociedade e suas vidas , é uma poderosa tragicomédia capaz de nos levar das gargalhadas às lágrimas em apenas alguns segundos, entendo-se o seu jeito de “crowd pleaser” que o levou a ser o preferido pelo público do Festival de Toronto.
Os esquemas encontrados pelas mulheres, que passam por esconder os jornais, chamar “bailarinas” exóticas para distrair os homens ou recorrer mesmo a drogas (numa cena de fazer a barriga doer de tanto rir) elevam o filme a um nível de clássico instantâneo, mas o tom verdadeiramente dramático por trás de tudo dá-lhe uma profundidade extra que não se estaria à espera.
Para ajudar, há ainda um par de momentos musicais, criteriosamente ensaiados, especialmente para aqueles que não suportam na generalidade o género. No final, e mais que um filme sobre mulheres que tentam travar um conflito idiota entre homens, temos uma obra de mães cansadas de perder os filhos e que são capazes de tudo para parar com a violência.
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