Ignacio Ferreras – que trabalhou como animador em O Mágico de Sylvain Chomet – explora essa questão, baseando na premiada novela gráfica executada por Paco Roca, seguindo de perto Emilio (voz de Alvaro Guevara), um antigo agente bancário que é levado para uma instituição quando começa a ser afetado pela doença de Alzheimer. No mesmo espaço conhecemos também Miguel, uma personagem astuta que vai aos pouco ajudando Emilio a lidar com a sua doença, enquanto vai conseguindo algum dinheiro com os «pacientes» da instituição.
Ambas as personagens são tridimensionais, tal como o argumento, ao contrário do estilo de animação, demasiado tradicional para a nova geração de espectadores mas extremamente melancólica e atraente para todos os outros. E como as personagens são ricas, é fácil ao espectador interagir emocionalmente com elas, sem que para isso Ferreras precise de carregar as cenas de forma excessivamente dramática, preferindo antes estudar, muitas vezes através da forma caustica dos diálogos, as contrariedade das vida e a degradação física e mental de forma irreversível.
O resultado é um filme muito bem conseguido, uma verdadeira animação para adultos sem um tom de lição moral, mas preferindo um charmoso realismo que adocica a alma enquanto lança questões importantes que dão que pensar em termos sociais…
| Jorge Pereira |

