«O Som ao Redor» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Depois de executar uma série de curtas metragens (Vinil Verde, Eletrodoméstica, Noite de Sexta Manhã de Sábado, Recife Frio), Kleber Mendonça Filho abandonou a carreira de critico de cinema e estreou-se nas longas-Depois de executar uma série de curtas metragens (Vinil Verde, Eletrodoméstica, Noite de Sexta Manhã de Sábado, Recife Frio), Kleber Mendonça Filho abandonou a carreira de critico de cinema e estreou-se nas longas-metragens com este O Som ao Redor, um dos premiados no passado Festival de Roterdão.

Na obra, que se passa no Recife, seguimos um bairro de classe média que – após a chegada de um grupo de seguranças privados – muda a sua rotina, a sua forma de vida. Particularmente seguimos a história de algumas personagens, sejam eles um proprietário «gente boa» que passa os dias entre reuniões de condómino e tentativas de alugar imóveis, até uma dona de casa solitária com grandes insónias devido ao latir do cão do vizinho. A abordagem a estas personagens, onde também se incluem os seguranças do bairro e alguns criminosos (ricos e pobres), é um pouco distante – não na profundidade como são tratados – mas porque nenhuma personagem humana se impõe realmente em relação a outra.

O filme prefere assim uma abordagem mais generalista, sendo o próprio bairro em que se incide a ação o verdadeiro protagonista, a alma que respira, transpira e se altera com a chegada dos novos «policias» e reflete quem habita nele. E ainda que não pareça, o filme tem uma agenda surpreendente que se revela no final, mas até chegar lá vamos abordar um rol imenso reflexos da vida das personagens convencidos que aquilo é foco do que há para contar. Ao esconder o jogo como um mestre do suspense, o cineasta consegue assim surpreender, e ao saber preencher muito bem a narrativa, quer em termos de drama, de humor e mesmo tensão, ele consegue nos cativar e prender até ao final da obra.

Já no que diz respeito à vertente técnica, estamos perante um filme exemplar, especialmente na parte sonora que invade a nossa perceção, criando a ilusão do verdadeiro respirar de um bairro que fala uma língua muito própria. Com isto, Kleber Mendonça Filho trás até nós um dos bons filmes da edição 2012 do IndieLisboa.


Jorge Pereira

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