Já passaram 8 anos desde a estreia da delirante comédia slasher britânica “Prevenge” (2016), filme que marcou a estreia na realização de Alice Lowe, atriz que começou a dar nas vistas em “Hot Fuzz” e “End of The World” de Edgar Wright, ⅔ do que chamamos hoje em dia da trilogia do corneto (falta “ Shaun of the Dead”).
Nesses dois filmes, a atriz partilhou os sets ao lado de Nick Frost, ator que requisitou para fazer parte do elenco do seu mais recente “Timestalker”, mais uma exemplo capaz do humor britânico a partir da saga de uma mulher, interpretada pela própria Alice, em diferentes períodos históricos, que crê ter encontrado o amor da sua vida. Em quase todos os períodos históricos que retrata, da pré-história ao futuro, passando pela época da revolução francesa e os anos 1980, Agnes continua a reencarnar e a apaixonar-se pelo mesmo homem em cada nova linha do tempo.
Parodiando com o destino e com o sonho romântico, Alice frequentemente mata a sua protagonista na tal busca pelo amor, mesmo que do outro lado esteja alguém que esteja prestes a ser enforcado, seja um ladrão de joias muito pouco à Robin Hood, ou uma estrela depressiva do rock, que mais valia morrer para ser imortalizado na História da Música à la John Lennon. Não é só Agnes e “o seu amado” que encarnam novamente numa nova época, mas também aqueles que os circundam, ou seja, empregados, amigos e até um pássaro, que passa por dissabores igualmente a cada temporada.
Claro está que uma comédia que parecia muito romântica, quicá um “Outlander” em potência, nas mãos de Alice torna-se um exagerado ensaio de comédia negra, que não só prima por cenários e situações burlescas over the top, mas vem carregado de gore e mortes bizarras que fazem uma conexão à sua primeira obra. Porém, aqui, Alice parece menos niilista e mais esperançosa (o tal destino pode ser mudado), simplificando procedimentos através de sketches bem montados que se unem num todo quando o tal destino, que tantos românticos falam, é trucidado por enganos e más interpretações do que se viveu. E nesse processo, é particularmente hilariante o gozo que se faz à interpretação dos sinais da paixão, absolutamente vitais para um dos lados do amor, completamente imperceptíveis e meras coincidências por parte dos outros.
E nesta jornada cómica e cósmica, Alice Lowe, Nick Frost, Jacob Anderson, Aneurin Barnard e Tanya Reynolds contribuem para o espírito laissez-faire de uma peça do humor britânico contemporâneo muito simples, com todas aquelas bases nonsense fundadas pelos Monty Python já lá vão mais de 50 anos. “Timestalker” não deixa de ser mais um filme da mesma escola que muitos vão ver como menor (até em relação à trilogia do corneto), mas é uma jornada divertida e alucinada que não envergonha ninguém.




















