Com vasta experiência nos westerns, seja pela sua presença em filmes como “Silverado” ou “Wyatt Earp”, ou ainda por créditos na produção e/ou realização e atuação de ”Dances With Wolves,”Open Range – A Céu Aberto“, “Hatfields & McCoys ou “Yellowstone, acaba por ser desapontante o que Kevin Costner trouxe ao Festival de Cannes, uma série limitada reformulada como filme com sequelas a caminho. É que este primeiro tomo – de toada clássica – nada mais é que o reciclar de material já mais visto e revisto, multiplicando-se em locais e personagens – colonos e nativos – movidos por derivações óbvias que tornam este primeiro capítulo num longuíssimo caminho pedregoso pelo tédio e pela constante tentativa de puxar/manipular as emoções do espectador por uma banda-sonora que quer ser épica à força, mas que de tanto se esforçar soa artificial. 

Em “Horizon, An American Saga” (capítulo 1) estamos no Vale de San Pedro, no Arizona, em 1859, quando três colonos, um deles criança, martelam estacas no chão para marcar um terreno à beira do rio. O tempo passa  e depois de um massacre perpetrado pelos Apaches no vilarejo denominado Horizon, descobrimos que esses três colonos tinham sido ali mortos pelos nativos no passado, tendo a geração de colonos que ali entretanto se implantou fechado os olhos ao perigo. Nas primeiras duas das excessivas três longaaaaaas horas deste capítulo, o mundo não mudou no que toca ao olhar sobre os nativos, vistos essencialmente como os maus da fita de sempre, uns “selvagens” que exterminam sem hesitações tudo o que encontram no seu caminho, incluindo mulheres que carregam meninos ao colo, ou violinistas moribundos que se recusam entregar o instrumento musical. Só mais tarde e, timidamente, os “selvagens” começam a se “humanizar”, mas ainda antes disso passamos para o Montana onde se começa a desenvolver uma história paralela juntamente a uma família liderada pela matriarca, e para outro local ainda onde aparece a personagem de Costner a travar conhecimento com uma prostituta.

Típico primeiro episódio de série televisiva, onde se introduzem personagens em catadupa, para abrir possibilidades, e se dá um pequeno contexto geográfico, social e político da região, “Horizon, An American Saga” é claramente material que nos dias que correm fazem as delícias do streaming, pois move-se por uma narrativa sem dar particular sentido cinematográfico ao material que trabalha, além da esfera da “TV de luxo”. Aliás, ao contrário até de algumas das séries mencionadas, não existe nenhuma cena ou sequência que nos capte pela sua potência visual, destacando-se apenas a forma atabalhoada de tentar manipular as emoções com situações geralmente em torno de relações familiares em frente do perigo. Por isso mesmo, como filme ou série (pressupondo que fosse um episódio piloto), “Horizon, An American Saga” é muito fraco em relação à obra de Costner e aos westerns em geral, soando apenas a reciclagem.

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Pontuação Geral
Jorge Pereira
horizon-an-american-saga-kevin-costner-e-a-arte-de-reciclar-os-westernsComo filme ou série (pressupondo que fosse um episódio piloto), “Horizon, An American Saga” é muito fraco em relação à obra de Costner e aos westerns em geral, soando apenas a reciclagem.