Destaque do Festival de Gramado de 2008, no sul do Brasil, “Lluvia” trouxe visibilidade e prestígio para a cineasta Paula Hernández, argentina que ganhou destaque na América Hispânica pela sua destreza ao dirigir atrizes e atores numa narrativa de implosão. Repetiu o feito em “Los Sonámbulos“, de 2019, também centrado em mulheres em fase de decisões radicais. Essa é a marca autoral temática da sua obra, que alcança os holofotes dos Horizontes Latinos de San Sebastián, em 2023, com “El Viento Que Arrasa“. Foi o título de aberura dessa seção paralala à disputa pela Concha de Ouro, mas também competitiva, tendo o exuberante ator chileno Alfredo Castro em foco.
É na exuberante fotografia de Iván Gieransinchuk que o filme encontra o seu diferencial (plástico) no meio à recorrência atual das longas-metragens hispano-americanas que se debruçam sobre histeria religiosa. Paula assina o guião em duo com Leonel D’Agostino sem acrescentar algo de novo – ou mesmo de tocante – ao tema da devoção cega à fé. A sua marca está lá, mas sem o viço habitual, prejudicada pela falta de esmero na construção da personagem central, Leni.
Vivida por Almudena Gonçalvez, Leni é uma jovem que decide refazer a sua vida depois que o pai, o reverendo Pearson (Castro, em atuação brutal), engata numa obsessiva jornada para salvar um rapaz do pecado. É uma trama sobre desejo reprimidos que não vai além de uma dramaturgia corriqueira.



















