Hoje é difícil ser aceite (simultaneamente) por críticos e público, diz Emir Kusturica

(Fotos: Divulgação)

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Numa entrevista ao Cineuropa a propósito do Festival de Cinema e Música Küstendorf, o fundador e líder do certame Emir Kusturica (Gato Preto, Gato Branco; Underground) teceu algumas considerações sobre o cinema atual, mostrando-se preocupado pela cada vez maior dificuldade em agradar a críticos e encher simultaneamente salas.

Em 1985 e 1995, quando eu apresentava filmes em Cannes, era possível ser bem recebido tanto pelos críticos quanto nos cinemas, mas é difícil ganhar aceitação de ambos hoje em dia.“, disse Kusturica, adicionando que não vê maneira nos tempos correntes dos filmes serem artísticos e comerciais ao mesmo tempo. Pegando no exemplo do chinês Zhang Yimou, Kusturica contou o que este lhe disse recentemente: “Acabei de fazer um filme comercial; agora vou voltar para a arte“.

O sérvio lamenta assim que o que domina nos dias de hoje é “o cinema que as pessoas aceitam e, de certo modo, esperam“. Citando o sociólogo Rodney Stark, Kusturica afirma “que a perfeição da imagem foi substituída por Deus, e que não estamos a movermo-nos em direção a uma santíssima trindade, mas sim em relação a nós mesmos. Nós tornamos-nos parte de uma ideologia, ou parte de algum tipo de propaganda.

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