Curar os males do ontem, hoje e amanhã

(Fotos: Divulgação)

Para onde anda e vai a medicina? Thomas Lilti, médico transformado em cineasta, tem ocupado parte do seu tempo no cinema a retratar esse tema, primeiro com “Hippocrate” (Verdade e Consequência, 2014), onde seguia dois médicos (Vincent Lacoste e Reda Kateb) a darem os primeiros passos num hospital urbano regido pelas limitações orçamentais e humanas. Depois lançou “Médecin de campagne “(Médico de Província), onde leva-nos até ao campo, às profundezas do interior gaulês, para fazer um estudo de uma personagem em vias de extinção, o médico de província, que vai além das tarefas médicas, e procurava encontrar um substituto para as suas funções. Finalmente, lançou em 2018 “Première année” (Os Caloiros de Medicina), que explorava essencialmente o que é ser estudante, ter 18 anos, e ser obrigado a preparar-se para um dos concursos mais competitivos. 

Curiosamente,Les Guérisseurs”, filme que abriu o Visions du Réel e marca presença na competição nacional (Suiça), junta um pouco todos estes temas abordados por Lilti nas suas obras num único objeto de cariz documental, começando mesmo pela história real de um profissional longe das grandes cidade, neste caso Francis Hildbrand, médico rural com 40 anos de prática que quer passar o testemunho a um jovem clínico geral, mas que observa que as coisas não são tão simples quanto o esperado já que os candidatos são raros e os seus pacientes impacientes.

Paralelamente a isso, nas cidades, na escola de medicina, na mesa de estudo com cadáveres reais, jovens estudantes preparam-se didaticamente para os desafios da profissão que escolheram, tendo de lidar com inúmeros desafios éticos e emocionais, sempre com milhares de questões a transbordar das suas mentes efervescentes.

E existe ainda uma outra camada neste documentário de Marie-Eve Hildbrand, baseado na inteligência artificial, onde robôs são preparados para assumir determinadas tarefas ligadas à saúde, que nos traçam um retrato das transformações operáticas de um mundo em trânsito para outra realidade e outro estado, onde o curar continua a ser o objetivo final, mas igualmente ver e refletir na forma de comunicação e relação com o paciente.

Um filme absolutamente essencial para todos os que navegam no mundo da medicina.

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