“Não tenho um método” na abordagem às personagens, explicou-nos há momentos o ator Kad Merad, conhecido do grande público por filmes como “Bem-vindo ao Norte” e “Ursinho Procura-se”, ou séries como “Barão Negro”.
A ocasião da conversa surgiu com o início da 23ª edição do Rendez-vous with French cinema (12-15 de janeiro) em Paris, que este ano decorre de forma virtual.
Merad é o grande protagonista de “Un triomphe”, comédia dramática de cariz social com o selo de Cannes 2020 – chegou a ser exibida na mini versão do certame em outubro – onde é um ator e encenador que tem como tarefa criar uma peça de teatro numa prisão. Baseado em factos reais, ocorridos nos anos 90 na Suécia, o filme acompanha de perto alguns encarcerados liderados por Etienne (Merad) na encenação da famosa, “fascinante e magistral” peça de Samuel Beckett, “À espera de Godot”.
“Não sou alguém que usa o método americano, de procurar em si coisas para trazer para a personagem”, explicou-nos Merad, acrescentando que usa principalmente a naturalidade na abordagem à sua personagem. O gaulês de origem argelina salientou ainda a importância do realizador Emmanuel Courcol, que “exerceu a sua autoridade sem ser autoritário“, principalmente através de “instruções muito precisas” do que pretendia, e sempre sorridente nas suas imposições.
Sabendo da importância deste “feel-good movie” no contexto atual, até porque se passa “numa prisão onde existe um confinamento permanente”, Merad anseia por novidades sobre uma possível data de estreia, garantindo que esta não é uma obra concretizada para as plataformas de streaming, mas para o cinema. “É um filme para uma experiência comunitária”, assegura, mostrando-se esperançoso com o futuro.

Quanto a Emmanuel Courcol, o ator – aqui na posição de realizador – disse que nunca pensou em atuar neste filme e que no passado até chegou a tentar acumular os dois cargos, mas cortou na montagem uma cena em que aparecia. O realizador explicou-nos igualmente a importância da série “Barão Negro” para a escolha de Merad para o protagonismo, admitindo que é alguém que exige precisão na abordagem ao texto, mas que deixa sempre uma porta aberta para o improviso nos ensaios – que ocorreram fora da prisão antes das filmagens.
Quanto ao ter filmado num presídio o seu projeto, Courcol falou em diversos problemas de logística e o facto de ter estado efetivamente em espaços afastados àqueles onde os presos se encontravam. Contudo, todos assistiram ao longe aos movimentos da equipa de filmagem e estão muito curiosos para ver no grande ecrã o resultado final.

