The Undoing: morte, mistérios e sensualidade

O sex appeal de Nicole Kidman e o charme eterno de Hugh Grant, aliados aos seus talentos interpretativos inquestionáveis, dão pontos positivos a esta aposta HBO.

(Fotos: Divulgação)

A fronteira entre o thriller sensual e o thriller vulgar é fácil de resvalar. Um bom thriller envolve sempre um toque de erotismo, de sedução entre as personagens e até entre a história e o espectador. Se a isto se aliar a excelência da interpretação, é ouro sobre azul.

The Undoing” é baseada na novela “You Should Have Known” (2014) de Jean Hanff Korelitz. A minissérie HBO estreou no passado dia 25 de Outubro, foi escrita e produzida por David E. Kelley e realizada por Susanne Bier.

Hugh Grant é Jonathan Fraser, um oncologista pediátrico, espirituoso e como não podia deixar de ser, muito britânico e Nicole Kidman é a sua elegante mulher, Grace, uma terapeuta nova-iorquina. O casal vive num dos locais mais nobres de Nova Iorque, a famosa Upper East Side, quase com o Central Park como seu quintal.
Ocupados com as suas carreiras, aparentam ter um casamento feliz, serem muito cúmplice um do outro e têm um filho saudável e alegre.

O grupo de amigos do casal parece ser composto maioritariamente pelos pais dos colegas de escola do filho. Reardon é uma escola particular de elite, alicerçada por um potente grupo organizado e composto por pais dos alunos. Grace faz parte deste grupo privilegiado, não só poder ter o filho na escola mas sobretudo por ser filha de um homem rico e poderoso interpretado por Donald Sutherland.

Se em “Big Little Lies“, a Celeste é a paciente, aqui em “The Undoing” é a terapeuta. E é aparentemente uma profissional que se envolve em demasia com os clientes, colocando de parte a isenção profissional que o cargo exige. No primeiro episódio da série, são expostos dois casos na intimidade do seu gabinete de trabalho: um protagonizado por uma mulher que acha que o marido não lhe dá a atenção devida e o outro é um caso de infidelidade. Em ambos, Grace opina e chega mesmo a ser confrontadora, não num sentido terapêutico.

O mundo de Grace e das suas “amigas” (aspas propositadas pois fica claro desde o inicio que o relacionamento entre estas mulheres é pura e simplesmente simulado) é abalado quando uma estranha entra nesta escola e neste grupo de elite. A esquiva Elena Alves (Matilda De Angelis) consegue uma bolsa de estudos que permite que o seu filho ingresse em Reardon e com isso, a entrada no grupo privado de pais. Sem posses monetárias ou estatuto social, mais jovem, menos snob e com atributos físicos que não passam despercebidos, Elena não passa despercebida, causando estranheza entre o grupo e, em Grace, um certo fascínio.

Mas tudo descamba quando Elena é encontrada morta, Jonathan desaparece e Grace é confrontada com um assassinato e um contexto que aparenta ser de mentiras conjugais. Nem sempre conhecemos a pessoa com quem nos deitamos…

A realizadora dinamarquesa Susanne Bier (“The Night Manager”) e o autor David E Kelley (“Big Little Lies”) já deram provas de que são bons a traçar perfis de casais abastados, com vidas aparentemente perfeitas e segredos mordazes mas, neste primeira amostra de “The Undoing”, parecem ter alcançado o patamar da excelência. Em 54 minutos deste primeiro episódio temos os ingredientes perfeitos para uma receita de sucesso: a já mencionada sensualidade, o mistério, os detalhes para além do óbvio, os maneirismos característicos de Grant e a elegância clássica e frágil de Kidman.

O desejo de que os próximos episódios acompanhem ou superem a magnificência do primeiro é elevado. “The Undoing” é nesta primeira impressão, um competentíssimo whodunnit cheio de classe e suspense que deixa água na boca para descobrir respostas e sobretudo, desvendar segredos.

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