Inspirada pelo atual contexto que tanto mudou as vidas de todos nós, a rentrée da Cinemateca celebra os reencontros e as nossas relações comunitárias com um ciclo adequadamente intitulado “E a Vida Continua”. Sob um calendário diferente do habitual adaptado às circunstâncias, a programação deste mês não retoma os ciclos que foram interrompidos em março, movendo-se antes por dois eixos temáticos que se interligam.
Por um lado, será exibido um grupo de filmes atravessados pela própria ideia do regresso, ou do reencontro, e também da relação entre o individual e o coletivo, em particular de tudo o que constrói e mantém uma comunidade ou um sentido de comunidade. Por outro, através da evocação de um punhado de estrelas marcantes da galáxia do cinema, para os quais se perfaz este ano o centenário de nascimento – Gene Tierney, Montgomery Clift, Maureen O’Hara, Walter Matthau e Alberto Sordi –, far-se-á uma viagem por um período alargado do cinema americano e europeu, percorrendo as épocas clássica e pós-clássica.
Estas são as nossas sugestões para a primeira semana de sessões em julho:
The Last Picture Show (A Última Sessão, 1971) – 1 de julho, 22h00, Esplanada. Para comemorar a reabertura das sessões de cinema, nenhum filme é tão apropriado como este clássico de Peter Bogdanovich. A história conta a passagem para a idade adulta de um grupo de adolescentes numa pequena cidade do Texas, em 1951. O fim de uma época é representado pelo encerramento da única sala de cinema da localidade e pelo embarque de alguns para a guerra na Coreia. A obra é uma das mais comoventes evocações da experiência formativa do cinema, sendo um poema elegíaco a uma idade e a um tempo em que essa experiência tinha papel decisivo enquanto rito social. Contando com um elenco impressionante, este é um melancólico e magnífico requiem pelo cinema clássico americano.
West Side Story (Amor Sem Barreiras, 1961) – 2 de julho, 22h00, Esplanada. Uma superprodução que teve imenso êxito internacional e apontou para a renovação do musical americano. O realizador Robert Wise conta que Jerome Robbins, o coreógrafo, “ficou intrigado com a ideia de filmar os números de dança nas ruas de Nova Iorque”, uma aposta formal a que se junta a da revisitação de Romeu e Julieta no confronto entre bandos juvenis de Manhattan. A música é de Leonard Bernstein e o fabuloso genérico de abertura, com os nomes da equipa de produção marcados a giz nas paredes e nos sinais da cidade, é da autoria de Saul Bass.

I Confess (Confesso, 1953) – 03/07/2020 – 3 de julho, 22H00, Esplanada. O cinema de Hitchcock está repleto de falsos culpados, mas nem sempre isso significa que as suas personagens sejam inocentes. Este talvez seja o filme do cineasta que leva este tema mais longe: na sequência de abertura, um homem mata outro e confessa o seu crime a um padre, que, por diversas razões, é acusado do homicídio, mas que não pode dizer a verdade devido ao segredo da confissão. Esta obra sombria é protagonizada pelo misterioso Montgomery Clift.
Red River (Rio Vermelho, 1948) – 4 de julho, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro. Um dos maiores westerns de sempre, Red River é simultaneamente a história de um confronto de vontades e uma aventura épica de homens e animais, ao longo de uma viagem pela pista de Chisholm. John Wayne envelhecido anuncia aqui os seus grandes papéis da maturidade, ao lado de Montgomery Clift, que se estreia no cinema para ganhar fama imediatamente. Esta obra de Howard Hawks voltará a ser exibida a 21 de julho, pelas 22h00, na Esplanada.
The Circus (O Circo, 1928) – 4 de julho, 15h00, Salão Foz. Esta é das maiores homenagens ao espetáculo circense feitas em cinema, pelo mais sublime palhaço de todos os tempos, Charlie Chaplin. O nosso conhecido vagabundo, Charlot, vai trabalhar no circo por acaso e torna-se rapidamente a estrela da companhia. É um clássico absoluto em que o vagabundo faz o número de funâmbulo mais genial da história do cinema.

