Annecy: Interdito a cães e a italianos

(Fotos: Divulgação)

Apresentado como Work in Progress no Festival de Cinema de Animação de Annecy, “Interdit aux chiens et aux italiens” (Interdito a cães e a italianos) é um trabalho em stop-motion que promete dar que falar.

O cenário é 1922, época de ascensão do fascismo que gerou uma gigantesca vaga de migração de italianos para todo o mundo. O protagonista é Luigi, uma personagem baseada no avô do realizador, Alain Ughetto.

“‘Interdito a cães e italianos’ é o nome do filme, mas também é o que estava escrito à porta dos cafés e dos restaurantes. Muitos migrantes estavam a dirigir-se para França, vinham do outro lado dos Alpes para trabalhar nas obras”, explica Alexandre Cornu, produtor deste filme que já anteriormente tinha trabalhado com Alain em “Jasmine” (2013).

Luigi era o meu avô italiano e o meu pai contava-me que na pequena cidade italiana de onde ele provinha todos os habitantes chamavam-se Ughetto. Quando morreu, esse mistério permaneceu em mim. Fui a Itália ver se essa cidade existia. E existe”, disse Alan, que não esconde que esta narrativa comece no “eu” para contar a história de Luigi, mas que se transforma num “nós” já que conta a “história de várias gerações de emigrantes italianos que foram para outros países construir barragens estações de comboio e túneis

Já em desenvolvimento há quatro anos, a produção exigiu por parte de todos uma grande sensibilidade, como explicou a assistente de criação dos storyboards, Camila Rossi: “Era necessário fazer um storyboard com sensibilidade para a história do Alain, com um bom balanço entre a realidade social e histórica e elementos de comédia e farsa. É um filme à italiana”.

Um dos pontos altos do trabalho para o filme foi a investigação de época, mas também o estudo da veracidade da história do avô de Alain, como o pai lhe contou. “Ughetto e os seus irmãos deixaram para trás a sua vila de Ughettera, a terra dos Ughetto no Piemonte, para descobrir a “La Merica”, este país fabuloso “em que os dólares cresciam em árvores”. Mas na verdade, o destino romantizado de Luigi foi confrontado com duas guerras, a pobreza e o fascismo, antes dele conhecer Cesira e fundar uma família que cresceu à sombra do Tour de France e da França“, explica Alain nas suas notas de intenções.

Na construção dos cenários, o cartão foi por exemplo muito utilizado para as casas, tal como o carvão para fazer as decorações montanhosas. E todos os detalhes – como o guarda-roupa e a decoração de interiores – foram minuciosamente elaborados e analisados pelo cineasta, que derradeiramente explica porque esta animação tem mais relevância que nunca: “Nos tempos que correm, em que estamos à beira de uma enorme depressão global, temos de aprender com os nossos pais, mães, avôs e avós. Temos de ser bravos como eles foram.

Últimas