Quando falamos em 2018 com o cineasta estónio Kaspar Jancis, ele acabara de apresentar na Monstra de Lisboa a sua longa-metragem “Captain Morten and the Spider Queen”. A ocasião era esse filme de aventuras, mas já aí explicou-nos qual era o seu novo projeto: “Chama-se Kosmonaut e segue um velho cosmonauta que está agora encerrado num apartamento, mas que continua a pensar que ainda está numa nave espacial. Esta é a ideia principal, mas a filha e o genro têm uma ideia muito diferente das coisas.”
Dois anos depois, a curta está pronta e surge em competição no Festival de Cinema de Animação de Annecy, cuja edição 2020 decorre online até ao próximo dia 30 de junho.
“É um filme sobre heróis e o seu futuro”, diz Jancis sobre o seu filme, que se foca acima de tudo na velhice, mas também nas problemáticas relações familiares e em algumas questões sociais.
Família é, aliás, um conceito que Jancis explora em toda a sua simplicidade, comparando neto e avô, como dois lados da mesma moeda, entregues a mundos muito próprios cheio de ideias de aventura. No meio deles está a mais terra-a-terra filha do cosmonauta, que quer com o bebé, quer com o pai, tem de mostrar preocupações extra para que a alienação da realidade destes não tenha consequências mais graves.
Um filme curioso, até reflexivo, onde os backgrounds foram desenhados em 3D e a animação clássica a 2D triunfa na sua total simplicidade.

