Annecy: Pieter Coudyzer, o transeunte da tragédia

Este ano na sua versão online, o Festival de Annecy mostra o melhor que se faz globalmente em termos de animação

(Fotos: Divulgação)

A ideia para este filme tem mais de duas décadas, eu era muito jovem, tinha cerca de 10 anos e vi algo na rua que me marcou muito. Foi algo que nunca mais largou a minha mente. Vinte anos depois decidi fazer um filme sobre isso”, explicou o realizador Pieter Coudyzer, que se encontra em competição na secção curtas-metragens do Festival de Cinema de Animação de Annecy.

No pequeno filme de 16 minutos, dois jovens dirigem-se de bicicleta para se encontrarem com alguém, mas o destino de um deles é marcado pela tragédia. “O mais importante para mim era encontrar a forma certa [de contar esta história. Queria contar uma história muito simples mas muito profunda e de uma maneira puramente cinemática. (…) Acredito que a forma gráfica cinematográfica que encontrei era a única maneira de contar esta história”, explica o cineasta, cujo seu “Moodswing” marcou presença em mais de 100 festivais e recebeu alguns prémios.

Recorrendo à famosa técnica de recortes para a construção curta, Coudyzer explica que “tecnicamente, todas as imagens foram pintadas à mão com tinta acrílica e tinta de água. Depois foram escaneadas e transformadas digitalmente”. A banda-sonora foi trabalhada por Ruben De Gheselle, que já ganhou prémios em Annecy 2016 com a música para outra curta-metragem de Coudyzer: “Beast! “.

O projeto demorou dois anos a completar e para o ver – apesar de estar disponível online para todo o mundo – o realizador deixa um conselho: “Vejam no maior ecrã possível e com um bom som. Não vejam no telemóvel. Um verdadeiro cinéfilo não vê filmes num smartphone“.

A edição 2020 do Festival de Annecy prossegue online até ao final do mês. 

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