Snowpiercer: crime no expresso do amanhã

(Fotos: Divulgação)

A adaptação de Snowpiercer à TV já estreou na Netflix 

Consagrado por Parasite, há muito que Bong John Hoo aplica no seu cinema uma leitura às relações de classes sociais, às desigualdades, e foi mesmo em Snowpiercer – Expresso do Amanhã – baseado na novela gráfica pós-apocalipse Le Transperceneige – que o cineasta sul-coreano aplicou de forma mais objetiva e frontal essa análise, tudo através da história de um grupo de pessoas num comboio sem destino a lutar pela sobrevivência num mundo coberto de gelo.

Adaptado agora a série de TV, e com um desejo mais massificado de audiências, a brutalidade da análise social dilui-se, e embora não desapareça, é ofuscada por todas as convenções procedimentais dos mistérios de investigação de um crime e subenredos que criam novos conflitos amorosos e sentimentais para alimentar um produto que de uma BD passou a um filme de 2 horas e agora é esticado ao formato série com novas temporadas em mente.

Compreenda-se que não é desesperante, nem tão pouco aborrecido ver Snowpiercer em formato série, mas vivendo na sombra de um bom filme que por sua vez vinha de uma bela banda-desenhada, esta nova versão entupida a palha narrativa e derivativa soa sempre a produto recauchutado.

Se no campo da produção e decors, há claramente um esforço de apresentar espaços, imagens e planos de cariz cinematográficos, no campo das interpretações, o drama sofre da “televisite” habitual, apenas com Jennifer Connely a sobressair, enquanto o nosso protagonista, Daveed Diggs, parece saído da Zion da Matrix como um herói questionado pelos rejeitados que só têm direito ao último vagão deste comboio em movimento pelo apocalipse.

Apenas com dois episódios disponíveis, é impossível prever o futuro deste projeto, mas os primeiros indícios apontam que este “Crime no Expresso Oriente” ou CSI Snowpiercer é apenas e só mais uma desculpa para fazer um remake clássico de um filme de luxo ou de qualquer série de mistério policial com um sádico serial killer pelo meio …

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