Nova série Netflix desilude
A história base da série Netflix é simples: depois de desaparecido durante 20 anos, o corpo de um famoso DJ é encontrado nos arredores de Ibiza. A sua irmã decide viajar até à ilha Balear para investigar a morte do irmão. A demanda na procura por respostas vai encaminhá-la ao submundo funesto dos negócios da noite.
Laura Haddock, Nuno Lopes, Marta Milans, Juan Diego Botto e Daniel Mays são os atores principais de White Lines, uma série com a chancela “dos criadores de La Casa de Papel e dos produtores de The Crown” – elemento que foi repetidamente apresentado como garante de qualidade desta nova proposta da plataforma de streaming.
Mas infelizmente, os curriculum vitae associados não salvam a série. White Lines é penosa, sobretudo no argumento e na indefinição de género, limitando-se sempre a uma superficialidade difícil.
A história é dividida em duas linhas narrativas paralelas: a de 1996, quando Axel Collins (Tom Rhys Harries), um jovem DJ, deixa a família para encontrar uma vida nova com amigos em Ibiza. O outro e principal decorre cerca de 20 anos depois e começa com a descoberta do cadáver de Axel no deserto de Almería, dentro de uma propriedade da poderosa família Calafat, dona de casinos e de clubes na ilha espanhola, protegida por Boxer (Nuno Lopes).
Zoe (Laura Haddock), irmã do DJ, embarca numa investigação para tentar perceber as circunstâncias e as mentiras que envolvem a sua morte investigação. A demanda na procura por respostas vai encaminhá-la ao submundo funesto dos negócios da noite.
A história de White Lines podia e devia ter sido contada num filme ou em minissérie. A lentidão e arrasto da história por 10 sofríveis episódios implicou engordar o argumento a “farinha e água”.

Se Nuno Lopes é castiço na sua presença e em nada envergonha a “nação valente e imortal”, a protagonista Zoe não tem pinga de carisma. A personagem pedia mais. Pedia uma bibliotecária com a habilidade de se transformar em Catwoman, sem pudor. Mas isso não acontece, o registo casto da personagem nunca desaparece, nem quando tenta assassinar um homem ou quando rouba quilos de droga.
Depois há todo um leque de clichés desnecessários, com a promessa de uma série ousada e divertida, mas que, infelizmente, não passa de uma inconsistência com 10 episódios. Fútil do princípio ao fim.
Se Danny Boyle e/ou Alex Garland pegassem nesta história e a transformasse(m) em algo mais sombrio, numa espécie de Transpotting meets A Praia, com sonoridade assinada por Moby ou Underworld, encaixada numa película de hora e meia / duas, o resultado talvez pudesse ser perfeito…

