Depois de problemas legais, o thriller coreano chegou à Netflix
Selecionado para a Berlinale, em projeção fora de concurso, na véspera de Parasita “dar um olé” na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, ao conquistar quatro Oscars, Tempo de Caça (Time do Hunt) foi chamado para integrar o festival alemão deste ano com o intuito de demarcar “a tradição noir do thriller criminal sul-coreano”.
Isso é o que foi dito até o dia em que a longa-metragem do realizador Yoon Sung-hyun (de “Bleak Night“) chegou aos ecrãs do evento germânico, tornando-se uma sensação pop por lá. A partir desta sexta-feira, em plena Semana da Páscoa, é a hora dessa sensação se repetir em streaming, com a passagem deste périplo de um grupo de amigos a fugir de um assassino “imparável” na Netflix.

Yoon Sung-hyun
“Esta é a história de uma busca que tem diferentes significados: não se trata de um filme de psicopatas e, sim, uma reflexão sobre potências que são imunes à inércia, vontades que não podem ser travadas“, disse Yoon ao C7nema, no final do encontro com a imprensa em Berlim, onde foi disputado pelos entusiastas de Time to Hunt, que, ainda antes da quarentena como resposta ao surto de coronavírus (COVID-19), foi negociado pela Netflix, fugindo da janela das salas de exibição.
Não importa em que ecrã o trabalho de Yoon seja visto: impressiona (e muito) o modo como as suas sequências de perseguição desafiam numerosas leis da Física. É uma narrativa que desafia os padrões da adrenalina elevados por Hollywood dos anos 1980 para cá. A trama acompanha um ex-presidiário que, ao sair da prisão, é convencido pelos seus camaradas a voltar ao mundo do crime e assaltar um casino. A figura do policial corrupto (e assassino de aluguer) Han, vivido por Park Hae-soo, tornou-se o grande personagem de ficção do Festival de Berlim em 2020.
“Ele é um predador, com o mesmo ethos do androide de Schwarzenegger no primeiro ‘Exterminador Implacável’, alguém que é movido por uma determinação de destruir um alvo específico. É como o ‘Tubarão’ de Spielberg… uma criatura com génese no terror“, disse Yoon. “Criamos aqui um monstro humano que é movido pela linearidade na sua caça. O que me interessa no cinema de ação não é a brutalidade pura, mas sim a vertigem no ato de filmar“.

