Nesta rubrica do C7nema encontram-se as nossas recomendações mensais sobre a programação da Cinemateca Portuguesa.

A encerrar o ano, a Cinemateca exibe a primeira parte de uma grande retrospetiva sobre a filmografia do realizador coreano Hong Sang-soo, que constitui um dos eventos cinematográficos mais especiais do ano. A programação de dezembro inclui também a oportunidade de ver em antestreia Frankie, o filme que Ira Sachs filmou em Sintra e que será agora por ele apresentado em Lisboa. Além destes pontos-auge, o mês do Natal conta com várias outras ocasiões para vermos no grande ecrã obras acarinhadas pela nossa memória cinematográfica coletiva.
As Variações de Hong Sang-soo

Hong Sang-soo, nascido em Seul em 1960, realizou já 23 longas-metragens, que a Cinemateca agora exibe em duas partes, entre dezembro e janeiro próximo. Os filmes deste realizador distinguem-se pela experimentação formal e narrativa: desde 2002 escreve as cenas e diálogos a rodar a cada dia de filmagens, integrando situações espontâneas (ações, diálogos, a meteorologia), ensaiando com os atores pouco antes da filmagem, definindo as posições de câmara e os movimentos dentro do quadro in loco. Sobre a narrativa, diz Hong Sang-soo: “Os meus filmes não são feitos para contarem uma história mas para representarem fragmentos dela. Pego nesses ‘fragmentos’ e é deles que deriva toda uma estrutura centrada em situações quotidianas. Escolho a retórica adequada no interior dessa estrutura. E quando chego à rodagem começa um novo processo de descoberta.” Curioso? Eis os títulos imperdíveis para (re)apreciarmos a sua carreira:
Oh! Soo-Jung (A Virgem Desnudada pelos seus Pretendentes, 2000) – Este é o primeiro Hong Sang-soo a preto e branco, cromatismo que só mais dois dos seus filmes possuem. O título lembra o da grande obra de Marcel Duchamp, referência a que o realizador diz preferir a mera ressonância frásica. Seguindo a história triangular de uma mulher e dois homens, seus pretendentes, o filme é construído em dois capítulos que podem ser versões distintas, consecutivas, ou um reflexo digressivo da memória. Num trabalho sobre elementos recorrentes, Hong filma repetições e episódios semelhantes, ou paralelos, adotando pontos de vista distintos na narrativa e na mise-en-scène. Sessões: Quinta-feira, 5 de dezembro, 19h00 // Terça-feira, 10 de dezembro, 18h30
Saenghwalui Balgyeon (Recordando a Porta Giratória, 2002)– Em sete capítulos de duração irregular e alinhamento cortado, mas na rota da linearidade narrativa, este filme retrata um ator de teatro que, desgostado com uma experiência no cinema, segue de Seul para a região de Kangwon. Aqui visita um templo budista chamado “porta giratória”, cuja lenda reza ter sido outrora sítio em que uma princesa se desembaraçou de um amante plebeu reincarnado em serpente, deixando-o à mercê de uma tempestade. A imagem da frustração adequa-se ao protagonista, que em encontros sucessivos com duas mulheres expõe uma narcísica incompetência emocional cuja perspetiva humana alia o patético e o cómico. Sessões: Sexta-feira, 6 de dezembro, 21h30 // Quinta-feira, 12 de dezembro, 18h30
Geuk Jang Jeon (Conto de Cinema, 2005) – Obra charneira na representação da experiência humana via o quotidiano, e de experimentação visual e narrativa. É o filme em que Hong Sang-soo usa pela primeira vez o zoom, a partir de então um elemento identificativo do seu cinema como procedimento disruptivo ou de reenquadramento brusco, jogando com a escala no interior do plano. Este conto é divide-se em duas partes numa estrutura autorreflexiva – a projeção de um filme é o motor para o andamento seguinte, que acompanha um espectador (convencido de que o argumento lhe foi “roubado” pelo realizador seu amigo) e a atriz do filme por cuja imagem fica obcecado. Sessões: Terça-feira, 3 de dezembro, 21h30 // Terça-feira, 17 de dezembro, 18h30
Bam gua Nat (Noite e Dia, 2008) – Na sua primeira obra filmada em vídeo de alta definição, Hong Sang-soo troca a Coreia por Paris, cidade onde o protagonista, um pintor, se refugia depois de ter sido apanhado a fumar marijuana e temer a perseguição da polícia. Mas se é Paris o cenário central, tudo se passa entre coreanos, num ambiente “100% Hong Sang-soo”, construído a partir da volatilidade emocional das personagens, das suas ânsias amorosas, das suas idiossincrasias e das suas fraquezas. Este é um filme “binário” que vai buscar o seu título (na versão internacional, Night and Day) aos horários trocados do casal formado pelo protagonista, em França, e a mulher dele, na Coreia. Sessão: Quarta-feira, 11 de dezembro, 19h00
Hahaha (2010) – Dois amigos, um realizador e um crítico de cinema, relatam as suas aventuras amorosas no bar em que, num encontro de despedida, evocam visitas separadas à mesma pequena cidade balnear que envolvem três personagens, eles próprios e um amigo comum. Sem que o percebam, as histórias justapõem-se, o que serve de fundo temático à experimentação narrativa que, convocando o espaço da memória (a cores, contrastando com o presente, a preto e branco), esgrime a questão fundamental da perspetiva e é marcada por flashbacks que desdobram pontos de vista. É o abismo a que se lança Hahaha (numa tradução literal do coreano, “Verãoverãoverão”), à superfície uma ligeira comédia de verão. Sessões: Sábado, 14 de dezembro, 21h30 // Sexta-feira, 27 de dezembro, 21h30
Ok-Hiu-Ui Yeonghwa (O Filme de Oki, 2010) – Composto em quatro capítulos que correspondem a segmentos passados em diferentes momentos temporais e cronologicamente desalinhados, o décimo primeiro filme de Hong Sang-soo leva mais longe a complexidade da estrutura narrativa na segmentação e na multiplicidade das perspetivas. “A forma levar-te-á à verdade. Contá-la tal como se apresenta não te permitirá atingi-la”, ouve-se no filme como argumento pedagógico. Cumprindo papéis que implicam diferenças e justaposições, as três personagens principais mantêm-se, formando um triângulo amoroso: um realizador veterano agora professor, um realizador mais novo e uma atraente estudante de cinema. Sessões: Segunda-feira, 16 de dezembro, 21h30 // Sábado, 28 de dezembro, 21h30
Book Chon Bang Hyang (O Dia em que ele Chega, 2011) – Num preto e branco invernal, o filme segue um realizador de cinema “em sabática”, que vive no campo, no momento em que vem a Seul visitar um amigo, crítico de cinema, residente na belíssima zona de Bukchon. É nela que o realizador vagueia, elege um restaurante e um bar, se cruza repetidamente com um grupo de pessoas, encontra o amigo. A repetição de situações e cenários com pequenas variantes aponta para o comportamento padronizado do protagonista, incapaz de se libertar do passado e privilegiar o presente. Complexa e ambígua, a construção desta narrativa deixa em aberto a hipótese de se tratar de uma sucessão de acontecimentos repetitivos ou alternativos. Sessões: Terça-feira, 17 de dezembro, 19h00 // Segunda-feira, 30 de dezembro, 21h30
Do Fundo do Coração

Este ciclo foi um desafio lançado pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia. Inclui filmes de tempos e registos variados, nos quais, mais ou menos centralmente, em tom de drama ou comédia e de forma mais realista ou mais fantasiosa, têm lugar os riscos e as patologias do nosso órgão vital. Um mapa, entre muitos outros possíveis, desses riscos, ou dessas falhas, no coração do cinema. Destacam-se:
All That Jazz (1982) – Foi o penúltimo filme do coreógrafo e realizador Bob Fosse, um dos nomes incontornáveis do teatro e do cinema musical americano. Com elementos autobiográficos, aborda as relações de um artista com a sua obra e com a morte. Joe Gideon é um coreógrafo mulherengo, viciado em drogas, obcecado com a escolha do elenco para o seu novo musical e a montagem de um novo filme. Sem estupefacientes e com uma doença cardíaca, Joe não tem energia necessária para lidar com a namorada, a ex-mulher e a filha. Situações do passado começam a emergir no presente, transformando a sua vida num caos. Recebeu quatro dos nove Óscares para que estava nomeado. Sessões: Terça-feira, 10 de dezembro, 19h00 // Sexta-feira, 13 de dezembro, 15h30
Dinner at Eight (Jantar às 8h, 1933) – Baseado numa peça de sucesso situada na alta-roda nova- -iorquina, trata-se de uma história de dinheiro, com personagens que nasceram ricas e outras que estão dispostas a ficá-lo a qualquer custo. Num papel de arrivista, Jean Harlow tem um dos seus maiores desempenhos, mas a personagem mais inesquecível é a de Marie Dressler, veterana atriz que morreria no ano seguinte. Uma das primeiras obras-primas incontestadas de George Cukor. Sessões: Quarta-feira, 11 de dezembro, 15h30 // Sexta-feira, 13 de dezembro, 18h30
Sorry, Wrong Number (Três Minutos de Vida, 1948) – Adaptado de uma famosa peça radiofónica de Lucille Fletcher pela própria autora, Sorry, Wrong Number é um notável thriller que conta a história de uma mulher acamada por doença cardíaca e que está na iminência de ser morta por um assassino contratado pelo marido. Barbara Stanwick, numa notável criação, teve aqui a sua quarta e última nomeação para o Óscar, que nunca ganhou. Sessões: Quarta-feira, 11 de dezembro, 21h30 // Quarta-feira, 18 de dezembro, 21h30
Le Souffle au Coeur (Sopro no Coração, 1971) – Um dos melhores filmes de Louis Malle, que gozou de um relativo escândalo pela forma natural como expôs no cinema um tabu: o incesto. Situado no meio da burguesia de província francesa em 1954, Le Souffle Au Coeur é a história de um adolescente extremamente inteligente que, diagnosticado com um “sopro no coração”, é levado pela mãe para uma estância de tratamento, onde a relação extremamente próxima que têm resultará num encontro sexual. Sessão: Segunda-feira, 16 de dezembro, 15h30 // Quinta-feira, 19 de dezembro, 19h00
Cinemateca Júnior

Em dezembro, a Cinemateca Júnior monta a sua árvore de Natal com enfeites variados e o programa para o mês é também assim – uma coleção de presentes coloridos:
Sherlock Junior (Sherlock Holmes Jr., 1924)– A maior obra-prima do grande Buster Keaton, que aqui assume a figura de um candidato a detetive inspirado nas aventuras do popular herói criado por Conan Doyle. Mas este genial burlesco é também uma reflexão sobre a magia do cinema, com a personagem de Keaton a sofrer, num ecrã, todos os “acidentes” provocados pelas mudanças de planos. Sessão: Sábado, 21 de dezembro, 15h00, acompanhado ao piano por Filipe Raposo
The River (O Rio Sagrado, 1951) – Filmado na Índia, a cores, este filme conta a história de uma família inglesa e a ação “resume-se” ao momento de nascer, morrer e amar pela primeira vez. O rio é ao mesmo tempo físico (o Ganges) e metafísico (a vida, o tempo) e imbui um dos filmes mais celebrados de Renoir de uma espiritualidade serena. Sessão: Sábado, 28 de dezembro, 15h00
O Que Quero Ver

Em época natalícia, esta secção regressa em versão aumentada para melhor acompanhar as muitas solicitações dos espectadores da Cinemateca recebidas ao longo do ano de 2019. Aproveita-se então o mês de dezembro para dar mais ampla resposta a essas propostas, com um conjunto de filmes absolutamente inéditos nas salas da Rua Barata Salgueiro, numa escolha muito eclética. Entre os contributos dos espetadores, salientamos:
Spoorloos (O Homem Que Queria Saber, 1988) – Adaptado de um romance do holandês Tim Krabbé, este thriller sobre um homem que quer saber do paradeiro da sua companheira, três anos após o seu desaparecimento, é de uma perversa e cativante inteligência. O sequestrador vai gerindo um gélido xadrez com o namorado, testando os limites da nossa imaginação quanto ao alcance da maldade humana. Como dizia Hitchcock, a grande força inspiradora do realizador George Sluizer, quanto mais o vilão é sedutor, mais este é bem-sucedido. Sessão: Segunda-feira, 23 de dezembro, 21h30 // Sexta-feira, 27 de dezembro, 19h00
iThree Amigos! (Três Amigos, 1986) – Uma comédia de equívocos que põe o cinema a rir-se na sua própria cara. Um trio cómico caído em desgraça embarca numa viagem ao México convencido que está no relançamento da sua carreira cinematográfica. Após várias voltas e reviravoltas, os amigos, interpretados por Steve Martin, Chevy Chase e Martin Short, verificam que os bandidos com quem contracenam estão a usar balas verdadeiras, sendo que nenhum filme está efetivamente a ser rodado. John Landis, nome-charneira da comédia americana dos anos 80, assina este “veículo” para três atores que beneficiavam então de uma grande popularidade. Sessão: Sábado, 28 de dezembro, 15h00
Ira Sachs

Ira Sachs (nascido em 1965) é hoje um dos principais nomes do cinema independente americano, associado a histórias realistas, quotidianas, com personagens palpáveis na sua humanidade e nas suas condições. A sua carreira trouxe-o à Europa para o seu último filme, Frankie, que tem produção portuguesa da O Som e a Fúria e foi parcialmente rodado em Portugal, com participação de alguns atores portugueses num elenco encabeçado por Isabelle Huppert, Greg Kinnear e Marisa Tomei. É a antestreia de Frankie que traz Ira Sachs a Lisboa para apresentar duas sessões:
Little Men (Homenzinhos, 2016) – A amizade entre dois miúdos adolescentes na Brooklyn gentrificada da época contemporânea. Excelente exemplo da forma como Sachs se concentra em narrativas discretamente influenciadas pelas circunstâncias sociais, sem perderem genuinidade e sem se converterem em panfletos. Prova, também, da mestria de Sachs na direção de atores, miúdos ou graúdos. Sessão: Sábado, 7 de dezembro, 19h00
Frankie (2019) – Apresentado no último festival de Cannes, Frankie é o resultado da primeira experiência de Sachs em coprodução europeia – parte do filme foi rodada em Sintra e o elenco e equipa técnica misturam americanos e europeus. Com a ação a desenrolar-se durante um único dia, Frankie (nome da personagem de Huppert) mostra uma reunião familiar onde várias gerações têm de aprender a lidar com o legado e o lastro da história da família. Sessão: Sábado, 7 de dezembro, 21h30
In Memoriam, Robert Forster e Peter Fonda

Robert Forster (1941-2019) deve muita da sua tardia fama a Jackie Brown, em que Quentin Tarantino o recuperou para a primeira linha, pelo que o ator é este mês recordado com essa obra. Peter Fonda (1940-2019) nunca foi tão grande como o seu pai, Henry, nem mesmo como a irmã Jane; teve talvez a carreira mais discreta da família Fonda, mas protagonizou emblemáticos filmes da contracultura americana dos anos 60. Ator “born to be wild”, merece também ser recordado com uma grande obra:
Jackie Brown (1997) – É tido pelo menos Tarantino dos filmes de Tarantino. É o seu terceiro, entre Pulp Fiction e os dois volumes de Kill Bill, três filmes com Uma Thurman. Na sua filmografia, Jackie Brown e Pam Grier são exceção, mas foi para ela que Tarantino fez o filme, em homenagem aos blaxploitation dos anos 1970 em que ela foi estrela. Adaptou-o de um romance de Elmore Leonard, deu-lhe uma pistola e pô-la num labirinto de violência onde vários grupos se confrontam. Sessão: Segunda-feira, 2 de dezembro, 15h30
Easy Rider (1969) – Um filme único, cujo extraordinário êxito se deveu à perfeita sintonia do argumento com as inquietações e interrogações da juventude da época. Aliás, Easy Rider é uma espécie de balanço, num tom que começa em festa e acaba em requiem, dos anos 1960 da contracultura americana, em particular da “drug culture”. Ficaram célebres as sequências do “ácido”, e Jack Nicholson teve aqui um passo fundamental na sua carreira. Mas o mais importante era a maneira como a América se (re)descobria na estranheza das suas divisões internas e na violência latente. Sessões: Sexta-feira, 20 de dezembro, 21h30 // Segunda-feira, 23 de dezembro, 15h30
Outras Secções

Entre as restantes secções da programação para dezembro, recomendamos ainda algumas sessões, entre elas uma Double Bill:
It’s a Wonderful Life (De Céu Caiu Uma Estrela, 1946) – Filme que marcou o regresso de Frank Capra no pós Segunda Guerra. Transformou-se num filme de culto e um clássico natalício. Pode ser a história de um homem que vê o seu mundo desaparecer de súbito. Pode ser a história de um anjo que busca, desde há muito, a oportunidade de arranjar um par de asas. Pode ser, enfim, a história do mundo saído do pesadelo da guerra, perdidas as ilusões e também em busca de nova oportunidade. Uma obra-prima. Sessão: Segunda-feira, 2 de dezembro, 21h30
The Tree of Life (A Árvore da Vida, 2011) – Um filme que acompanha a existência de Jack desde o seu nascimento, nos anos 1950, até à idade adulta, da perda da inocência ao cinismo de um homem maduro. Jack, o mais velho de três irmãos, cresce dividido entre duas visões divergentes da realidade: o autoritarismo de um pai, ambicioso e descrente (Brad Pitt), com quem vive em perpétuo conflito, e a generosidade e candura de uma mãe (Jessica Chastain) que lhe dá conforto e segurança. Refletindo sobre a origem do universo e a tragédia da vida humana, The Tree Of Life é exemplo maior do lirismo do cinema de Malick e uma das obras primas do nosso tempo. Sessão: Sexta-feira, 13 de dezembro, 21h30, apresentada pelo montador Jay Rabinowitz
The Mule (Correio de Droga, 2018) & Sullivan’s Travels (A Quimera do Riso, 1941) – The Mule é o primeiro filme em que Clint Eastwood assume o duplo papel de ator-realizador desde Gran Torino (2008). Aqui é Earl Stone, um horticultor veterano de Guerra, amante de flores e feitio rezingão, que, aos 90 anos, sem dinheiro nem rendimentos, dá por si a percorrer quilómetros de estrada como correio de droga para um cartel mexicano. O argumento põe em marcha um retrato humano de gravidade e sentido de humor eastwoodianos, no contexto da sociedade americana atual. Sullivan’s Travels é uma obra-prima de Preston Sturges e da comédia social americana dos anos 1940. A história segue as aventuras de um realizador empenhado em fazer “cinema social” que descobre como o riso é importante para a vida e a felicidade dos homens. As voltas que dá na caravana com que atravessa o filme formam uma cáustica e invulgar representação do mundo do cinema, numa comédia hilariante com diálogos notáveis. Sessão: Sábado, 28 de dezembro, 15h30

