Sessões na Cinemateca – Escolhas de novembro

(Fotos: Divulgação)

Nesta rubrica do C7nema encontram-se as nossas recomendações mensais sobre a programação da Cinemateca Portuguesa

 

O fenómeno da adaptação cinematográfica. A riqueza do cinema filipino. O ímpeto das personagens de Albert Finney. A transgressão dos filmes de Shirley Clarke. E várias obras-primas dos maiores cineastas do século passado: Douglas Sirk, Yasujiro Ozu, Fernando Lopes, Sidney Lumet, Jacques Becker, Ernst Lubitsch, Satyajit Ray, Rainer W. Fassbinder, Stanley Kubrick, John Huston. Podemos contar com tudo isto na recheada programação da Cinemateca para este mês de novembro.

Sine, Cinema das Filipinas

Em colaboração com a embaixada das Filipinas em Portugal e com o Film Development Council of the Philippines, este ciclo de obras cinematográficas filipinas é um evento singular nas salas de cinema portuguesas. Os filmes a ser apresentados, realizados entre 1950 e 2015, foram divididos em três capítulos que ilustram três grandes períodos da vasta e complexa cinematografia filipina. Para nos familiarizarmos com esta rica história não podemos perder:

Mababangong Bagungot (Pesadelo Perfumado, 1977) – Este é um pequeno fenómeno cinemato-gráfico: primeiro filme de um amador, Kidlat Tahimik, feito com alguma ajuda de Werner Herzog, orçamento baixíssimo e película fora de prazo, que ob¬teve o prémio da crítica no Festival de Berlim e teve os seus direitos adquiridos por Francis Ford Coppola. Ficou então diversas semanas em cartaz numa das mais míticas salas de Nova Iorque, o Bleecker Street Cinema. A trama narrativa tem elementos autobio¬gráficos e conta a história de um jovem que quer deixar a sua aldeia natal para conhecer o mundo moderno. Sessões: Terça-feira, 12 de novembro, 21h30 // Segunda-feira, 18 de novembro, 18h30


Maynila Sa Mga Kuko Ng Liwanag/Manila (Manila nas Garras da Luz, 1975) – Lino Brocka (1940-91) foi uma das grandes descobertas do cinema filipino. Trabalhando num sistema industrial (este é o 12º dos 62 filmes que realizou), Brocka fez um cinema popular, em todos os sentidos do termo: destinado às plateias populares e situado nos meios populares, como os bairros de lata de Manila, de onde são originários muitos dos seus atores. Este foi o filme que o tornou internacionalmente reconhecido, um filme que retrata o cruel percurso de um rapaz que vem da província para Manila atrás da sua amada e vê-se diante da terrível luta que é a sobrevivência na metrópole. Sessões: Quarta-feira, 13 de novembro, 19h00 // Quinta-feira, 21 de novembro, 18h30


Insiang (Insiang, o Lírio de Manila, 1976) – O filme é situado num bairro de lata, numa barraca na qual coabitam uma mulher, a sua filha e o novo namorado da primeira, numa situação cada vez mais insuportável para a filha, vítima de abusos verbais e sexuais. A jovem acabará por recusar os códigos sociais que a sufocam. O filme enriquece a veia “realista” do realizador, Lino Brocka, com um sentido subjacente da fantasmagoria individual. Sessões: Sexta-feira, 15 de novembro, 21h30 // Terça-feira, 26 de novembro, 18h30

Ebolusyon Ng Isang Pamilyang Pilipino (Evolução de uma Família Filipina, 2004) – Nascido em 1958 e autor de mais de 30 filmes, Lav Diaz foi reconhecido em anos recentes como um dos cineastas mais proeminentes da sua geração e como um importante representante do “slow cinema”. Esta obra acompanha o périplo de uma família de camponeses, do seu colapso até um renascimento. A ação tem lugar entre 1971 e 1987, no duro período em que vigorou a lei marcial nas Filipinas. Como muitos filmes de Lav Diaz, este tem uma duração inusitada (593 minutos), a propósito da qual o realizador declarou: “O filme tem a duração que necessita. É uma questão estética e artística“. Sessão: Sábado, 16 de novembro, 14h00

Himala (Milagre, 1982) – Ishmael Bernal (1938-96) é um dos mais célebres cineastas filipinos da sua geração, a mesma de Lino Brocka. Bernal realizou cerca de 40 filmes, de vários géneros, sendo Himala, apresentado no Festival de Berlim, uma das suas obras mais conhecidas fora das Filipinas. Trata-se da história de uma jovem que tem uma visão da Virgem Maria durante um eclipse e começa a fazer curas milagrosas, o que faz nascer todo um comércio baseado na impostura. O resultado é um filme vigoroso e algo melodramático, que denuncia a comercialização da fé religiosa. Sessões: Sexta-feira, 22 de novembro, 15h30 // Quinta-feira, 28 novembro, 19h00

Oro, Plata, Mata (1982) – A segunda longa-metragem de Peque Gallaga é considerada uma das obras-primas do cinema filipino. Filmado num estilizado preto e branco, o filme é situado durante a Segunda Guerra Mundial, quando as Filipinas foram ocupadas pelo Japão, e conta a história de duas famílias ricas, que têm as suas terras confiscadas e têm de se refugiar numa floresta. Sessões: Segunda-feira, 25 de novembro, 15h30 // Quinta-feira, 28 de novembro, 21h00

In Memoriam, Albert Finney

Tão ou mais conhecidos que os impulsos e gritos de fúria de Albert Finney são o seu sorriso charmoso e jocoso, a espontaneidade dos gestos e o andar gingão. De cara fresca, vimos Finney, ora lunar, ora soalheiro, a rebelar-se contra o sistema. Com o passar dos anos, começou a especializar-se em personagens caídas, derrotadas pela idade adulta, que se deixaram consumir por uma triste solidão e, por vezes, por vícios antigos como o álcool. Já com a cara rugosa, envelhecida, não perdia, contudo, a energia e uma fúria em regra benigna, distinta da aspereza muito séria de alguns outros atores marcantes da Nova Vaga inglesa, como Richard Burton ou Richard Harris. Celebremos este ator único através dos seguintes títulos:

Before the Devil Thinks You’re Dead (Antes que o Diabo Saiba que Morreste, 2007) – Um assalto mal sucedido perpetrado por dois irmãos à joalharia dos próprios pais é o ponto de partida para a derradeira obra realizada por Sidney Lumet. Thriller extremamente inventivo em termos narrativos, uma vez que o cineasta opta por um tempo não linear, com contínuos saltos na cronologia, e por uma multiplicação de pontos de vista. A obra foi buscar o título a um provérbio irlandês, estando em sintonia com a ascendência de Albert Finney, que aqui interpreta um pai saturnal dividido entre o amor aos filhos e um imparável desejo de vingança. Sessões: Segunda-feira, 4 de novembro, 15h30 // Sexta-feira, 8 de novembro, 19h00

Two for the Road (Caminho para Dois, 1967) – Audrey Hepburn e Albert Finney protagonizam “um pas de deux sobre rodas” que decorre durante uma viagem pelo sul de França, evocando a relação de doze anos de um arquiteto e da sua mulher, numa narrativa cuja não-linearidade foi, na altura, causa de espanto. O título vem da canção tema do filme, Two for the Road, de Henry Mancini. Sessões: Terça-feira, 5 de novembro, 15h30 // Sábado, 9 de novembro, 21h30

Under the Volcano (Debaixo do Vulcão, 1987) – John Huston voltou às grandes adaptações literárias com a obra-prima de Malcolm Lowry, comprovando neste filme a sua capacidade para filmar romances tidos como “infilmáveis”. Fê-lo no México, onde Lowry situa a ação do seu romance centrado num cônsul britânico que é interpretado no filme, com “som e fúria”, por Albert Finney. Sessões: Terça-feira, 5 de novembro, 21h30 // Sexta-feira, 8 de novembro, 15h30

Miller’s Crossing (História de Gagsters, 1990) – Um regresso ao cinema de gangsters repleto de condimentos clássicos reciclados com astúcia pela realização dos irmãos Coen. Numa América sob a Lei da Proibição, uma guerra de gangues vai meter em apuros um bem intencionado Tom Reagan (Gabriel Byrne), o braço direito do manda-chuva de sangue irlandês Leo (Albert Finney). Filme da maturidade dos Coen que beneficia de interpretações fulgurantes e de um trabalho notável de Barry Sonnenfeld enquanto diretor de fotografia. Sessões: Quarta-feira, 6 de novembro, 15h30 // Sexta-feira, 29 de novembro, 19h00

Murder on the Orient Express (Um Crime no Expresso do Oriente, 1974) – Esta obra adapta uma das mais populares novelas de Agatha Christie tendo como personagem central o detetive belga Hercule Poirot (Albert Finney). Viajando no Expresso do Oriente, Poirot é confrontado com um misterioso assassínio de que é vítima um odiado financeiro. Todos os suspeitos são representados por atores bem conhecidos, e um deles conquistaria um Óscar: Ingrid Bergman. Sessões: Quinta-feira, 7 de novembro, 15h30 // Segunda-feira, 18 de novembro, 19h00

Saturday Night and Sunday Morning (Sábado à Noite, Domingo de Manhã, 1960) – Filme charneira do Novo Cinema inglês e longa-metragem seminal da geração dos “angry young men”, esta obra é a incorporação, pela ficção, de uma tradição britânica do cinema “realista”. Politizado e com fortes preocupações sociais, foi o primeiro grande papel no cinema de Albert Finney. Sessões: Quinta-feira, 14 de novembro, 19h00 // Quarta-feira, 27 de novembro, 15h30

Big Fish (O Grande Peixe, 2003) – Um jovem (Billy Crudup) procura conhecer e compreender melhor o pai (Albert Finney) que está a morrer, e que era admirado e amado por todos como um efabulador maravilhoso, inventando, a partir da realidade, as mais estranhas histórias. Mas onde começa a fantasia e acaba o mundo real? Um filme sobre as fronteiras da fantasia, sobre o poder da fábula e sobre o próprio realizador, Tim Burton. Sessões: Sexta-feira, 15 do novembro, 15h30 // Segunda-feira, 25 de novembro, 21h30

7 Livros / 7 Filmes

As profícuas relações entre literatura e cinema ao longo da história dão mote a este programa, que a Cinemateca preparou em colaboração com a APE (Associação Portuguesa de Escritores) para com ela evocar a ponte entre livros e filmes que marcaram a história destes dois mundos – literatura e cinema –, seja em contexto internacional seja em contexto português. Se a história da adaptação cinematográfica demonstrou que a transposição de um universo para outro não significa por si que haja relevância equivalente nos dois campos, este ciclo reporta-se a casos em que essa dupla importância existiu. Todas as sessões serão apresentadas por convidados especiais que evocarão brevemente, caso a caso, os dois objetos em causa. Destacamos:

A Place in the Sun (Um Lugar ao Sol, 1951) – Óscar de melhor fotografia para William C. Mellor, esta adaptação do clássico de Theodore Dreiser, An American Tragedy, contém os mais famosos “encadeados” do cinema americano até então. Montgomery Clift é um jovem que procura a promoção social através do casamento com a filha de um industrial e acaba envolvido na morte de uma antiga namorada. Um filme magnífico, muito provavelmente o melhor do realizador George Stevens e um excelente desempenho da jovem Elizabeth Taylor. Sessão: Segunda-feira, 4 de novembro, 21h30

The Dead (Gente de Dublin, 1987) – Último filme de John Huston (foi distribuído postumamente) a partir de um conto de James Joyce publicado em The Dubliners, esta é uma obra-prima elegíaca. Um jantar de fim de ano no começo do século XX é o cenário da encenação de uma despedida, a do próprio Huston ao cinema e à vida. Filmado na Irlanda, o filme segue Gabriel Conroy (Donald McCann) na sua descoberta da memória que a mulher, Gretta (Anjelica Huston), guarda de um falecido amor. Sessão: Quinta-feira, 7 de novembro, 19h00

Sweet Bird of Youth (Corações na Penumbra, 1962) – Adaptação de uma peça de Tennessee Williams, onde Geraldine Page tem uma das suas mais dramáticas interpretações no papel de uma estrela de Hollywood em decadência que procura reencontrar a juventude através do corpo de um jovem Paul Newman, seu gigolo desencantado. Anti-herói, num dos papéis da sua vida, raras vezes Paul Newman terá sido mais desejável do que nesta obra. Sessão: Quinta-feira, 14 de novembro, 21h30

Lolita (1962) – Adaptação do polémico romance russo pela mão do próprio escritor (nomeado para o Óscar pelo seu trabalho). Um professor casa com uma viúva para poder estar ao lado da sua paixão, a adolescente Lolita. Um filme que causou escândalo na época da sua estreia e que é um caso extremamente interessante em termos de adaptação e de colaboração entre dois singularíssimos criadores: Vladimir Nabokov e Stanley Kubrick. Sessão: Sábado, 23 de novembro, 21h30

O Delfim (2001) – Este filme junta duas das maiores figuras da cultura nacional: o realizador Fernando Lopes, figura chave do Novo Cinema português, e o escritor José Cardoso Pires, autor do livro que o filme adapta. Através de dois dos maiores atores da sua geração (Rogério Samora e Alexandra Lencastre), O Delfim lança um olhar sobre a decadência da alta burguesia portuguesa no final da década de sessenta, últimos anos de um país ainda preso à mentira da ditadura e à corrupção dos seus elos sociais e pessoais. Um dos maiores sucessos do cinema português dos últimos anos e um dos seus objetos mais prodigiosamente filmados. Sessão: Segunda-feira, 25 de novembro, 18h30

Double Bill



Serão quatro os sábados de novembro agraciados com sessões duplas, que contam com filmes quase invariavelmente magistrais:

Faustrecht Der Freiheit (O Direito do Mais Forte à Liberdade, 1974) & Easy Living (Uma Pequena Feliz, 1937) – Dois filmes que, embora em géneros e épocas tão diferentes, falam da questão da insolúvel reconciliação de classes a que os seus personagens, presos à realidade do amor, estarão sempre condenados. O primeiro é um dos mais célebres filmes de Fassbinder, feito após a sua descoberta do cinema de Douglas Sirk, cujo universo cinematográfico transpõe de modo muito particular. No filme, um proletário (desempenhado pelo próprio Fassbinder) que ganha a lotaria torna-se amante de um burguês cujos negócios não correm bem. O filme começa como um sonho e acaba em pesadelo. Já Easy Living é uma brilhante e hilariante screwball comedy, com argumento de Preston Sturges. Jean Arthur é a “pequena feliz” do título português, uma rapariga que vê a sorte mudar quando um casaco de peles lhe cai em cima no meio da rua – evento a que se sucede um conjunto de peripécias igualmente inesperadas e mirabolantes. Sessão: Sábado, 2 de novembro, 15h30

Paterson (2016) & Kohayagawa-Ke No Aki (Fim de Verão, 1961) – Dois títulos de enorme sensibilidade, poesia e delicadeza humana em torno de personagens em perfeita harmonia com os espaços urbanos. O filme de Jim Jarmusch regista discretamente os sucessos e derrotas da vida quotidiana, tornando a poesia evidente nos seus mínimos detalhes. Paterson, um motorista de autocarro na cidade de Paterson, Nova Jersey, observa a cidade pelo pára-brisas, repete sempre o mesmo caminho entre casa e trabalho, passeia sistematicamente o cão à noite,… E na cadência pausada dos seus dias, vai anotando num caderninho os poemas que lhe ocorrem a cada momento. No filme de Ozu, o penúltimo do mestre japonês, o realizador tece variações sobre um tema único: a família japonesa e a sua dissolução, neste caso um pequeno industrial de Osaka, que encontra uma antiga amante em cuja casa vem a morrer. Realizado com o absoluto rigor formal que caracteriza o cinema de Ozu na maturidade (planos fixos, câmara baixa) e em esplêndidas cores, Fim de Verão é um filme sobre o adeus à vida. Mas um adeus alegre e despreocupado. Sessão: Sábado, 9 de novembro, 15h30

Charulata (1964) & Angel (O Anjo, 1937) – Um drama, uma comédia; duas abordagens tão diferentes do eterno tema da solidão da mulher a quem o marido não dá o merecido valor e que acaba por se apaixonar por outro homem. Baseado na história de um jornalista e da sua mulher, que hospedam um amigo que terá uma relação platónica com a mulher, Charulata marca o apogeu de uma fase da obra de Satyajit Ray com requintada fotografia a preto e branco, belíssima música, o seu ator preferido (Sumitra Chaterjee) e um grande retrato de mulher, a personagem titular. Uma obra-prima, perfeita na forma, intensa e contida nos sentimentos das personagens. Angel, de Lubitsch, apresenta Marlene Dietrich na pele de uma mulher casada a quem reaparece o homem duma ocasional noite em Paris. O realizador filma a história num prodigioso testemunho das possibilidades dramáticas do seu inconfundível estilo, criando um filme quase abstrato, quase música de câmara. Sessão: Sábado, 23 de novembro, 15h30

Imitation of Life (Espelho da Vida, 1934) & Imitation of Life (Imitação da Vida, 1959) – Duas interpretações diversas de uma mesma história em torno de questões familiares, questões de identidade e questões raciais. A versão original do romance melodramático de Fannie Hurst privilegia o sentimentalismo em vez do delírio visual que caracterizou o remake que Douglas Sirk fez quinze anos mais tarde com a mesma história: duas mulheres que se lançam numa empresa comercial como forma de ganhar a vida enriquecem mas veem a sua amizade soçobrar. A realização e o argumento são notáveis no primeiro filme, sendo o segundo o melodrama absoluto de Douglas Sirk, e o seu último filme em Hollywood. Sessão: Sábado, 30 de novembro, 15h30

Outras Secções

Perante a programação tão rica deste mês não podemos ainda deixar de recomendar mais alguns títulos, incluídos noutros ciclos, que merecem ser vistos no grande ecrã:

Zazie dans le Metro (Zazie no Metro, 1960) – Adaptação do conhecido romance homónimo de Raymond Queneau, poeta do absurdo. Zazie é uma garota que a mãe envia de visita ao tio que vive em Paris, acabando por fugir para ir ver o que mais lhe interessa, o Metro. Mas a descoberta é pontuada pelos mais estranhos, insólitos e divertidos (e mesmo ameaçadores!) encontros. Sessão: Sábado, 16 de novembro, 15h00, na Cinemateca Júnior

Portrait of Jason (1967) – Shirley Clarke (1919-1997) foi uma figura essencial no cinema independente norte-americano, e autora de uma obra que fez da mescla de estilos e registos (o documentário, a ficção, o ensaio experimental, o testemunho e a reflexão de cariz sociopolítico) um dos seus eixos centrais. Este é um dos seus filmes cruciais, um olhar sobre a marginalidade e o preconceito sociais construído a partir da figura de um ex-prostituto negro e gay. Um clássico do New American Cinema, feito por uma realizadora que muito contribuiu para a abolição das fronteiras convencionais entre realidade e ficção. Sessões: Quarta-feira, 6 de novembro, 21h30 // Quinta-feira, 7 de novembro, 18h30

Cold Case Hammarskjöld (2019) – A Cinemateca associa-se aos Lux Film Days para apresentar os filmes finalistas ao Prémio Lux do Cinema Europeu de 2019, criado pelo Parlamento Europeu em 2007 para distinguir a produção cinematográfica europeia. A morte do antigo Secretário-geral da ONU, Dag Hammarskjöld, em 1961, na sequência de um misterioso acidente de aviação, é o motivo da investigação levada a cabo pelo realizador dinamarquês Mads Brügger, que se tem especializado em documentários de natureza política à maneira de Michael Moore. O ponto de partida revelar-se-á uma de duas coisas: ou um dos maiores casos de homicídio ou uma das mais estúpidas teorias conspirativas da história. Documentário provocador que não descansa enquanto não der a descobrir toda a verdade. Sessão: Terça-feira, 19 de novembro, 19h00

El Reino (2018) – Thriller sobre os pantanosos meandros da vida partidária. Um influente político aspira a mais altos voos, mas, em véspera de eleições, anos de más práticas ameaçam vir ao de cima e comprometer toda uma carreira. A mensagem pungente – “está atento aos teus inimigos, mas acima de tudo aos teus colegas de partido” – tem um alcance que vai muito além do caso particular. Realização estilizada do espanhol Rodrigo Sorogoyen sob influência de David Fincher. Sessão: Quinta-feira, 21 de novembro 19h00

Casque D’Or (Aquela Loira, 1952) – Um dos mais belos filmes franceses de sempre e talvez a obra-prima de Jacques Becker. Raras vezes, no cinema, uma “reconstituição” de época (o fim do século XIX) conseguiu recriar, de forma tão perfeita, um estilo de vida e o espírito do tempo. Casque d’Or (Simone Signoret) é a bela amante de um bandido, Manda (a melhor criação de Serge Reggiani no écrã), que acaba traído pelo chefe do grupo. Sessão: Quarta-feira, 20 de novembro, 21h30

Freaks (A Parada dos Monstros, 1933) – Um dos filmes mais míticos da história do cinema, uma história de amor e vingança, situada num circo e povoada por criaturas esfíngicas: siamesas, troncos humanos, liliputianos. Mas o filme também é uma parábola sobre a aparência e a substância, o corpo e a alma, pois à lealdade e à sinceridade destas criaturas disformes opõe-se o calculismo e o oportunismo de uma mulher tão bela por fora como horrenda por dentro. Sessão: Quarta-feira, 27 de novembro, 18h30

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