Roman Polanski: “a minha imagem começou a formar-se com a morte de Sharon Tate”

(Fotos: Divulgação)

Presente em Veneza com o seu novo filme, J’Accuse, Polanski tem estado na mira de grande parte das críticas ao Festival de Veneza

Em J’Accuse, o novo filme de Roman Polanski, acompanhamos o tristemente famoso caso Dreyfus, um escândalo político ocorrido na França no final do século XIX, onde o capitão do exército francês de origem judaica Alfred Dreyfus (Louis Garrel) foi injustamente condenado por alta traição – tendo sido desterrado do país natal por 12 anos. Quando os erros do processo foram descobertos, o exército tentou encobrir o caso.

É inevitável não olhar para o caso Dreyfus e não pensar na razão que levou Polanski a transformá-la num filme. Perseguido na infância durante a 2ª Guerra Mundial por ser judeu, e posteriormente na Polónia como jovem cineasta pelos Estalinistas, Polanski é agora constantemente atacado pela fuga à justiça norte-americana no final da década de 1970, associado ao caso que teve com Samantha Geimer, jovem de 13 anos na época. 

Nas notas de produção de J’Accuse, o cineasta não evita em dizer que encontra muitos momentos na história de Dreyfus que ele mesmo “experienciou” na sua vida, especialmente a “perseguição“, os procedimentos de “condenação” e a “negação dos factos“.A maioria das pessoas que me perseguem não me conhece e nada sabe sobre o meu caso“, diz o realizador numa referência à acusação nos anos 70.

Ainda assim, Polanski afirma que J’Accuse “não é terapia” e defende que a a maneira como as pessoas o veem, a sua imagem, “começou a se formar com a morte de Sharon Tate“: “Quando isso aconteceu, embora eu já estivesse a passar por um momento terrível, a imprensa tomou conta da tragédia e, sem saber como lidar com ela, fez uma cobertura desprezível, insinuando, entre outras coisas, que fui uma das pessoas responsáveis ​​pelo seu assassinato, num contexto de satanismo. Para eles, o meu filme A Semente do Diabo (Rosemary’s Baby, 1968) provara que eu era aliado do Diabo! Isto durou vários meses, até que a polícia finalmente encontrou os verdadeiros assassinos, Charles Manson e a sua “família”. Tudo isso ainda me assombra hoje. (…) Histórias absurdas de mulheres que nunca vi na vida e que me acusam de coisas que supostamente aconteceram há mais de meio século.”

Quando questionado da razão porque não luta mais afincadamente contra essas acusações, Polanski responde: “Para quê? Seria como lutar contra moinhos de vento.”

J’Accuse ainda não tem data de estreia em Portugal. No elenco encontramos ainda Jean Dujardin, Emmanuelle Seigner, Mathieu Amalric, Melvil Poupaud e Denis Podalydès.

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