Penélope Cruz e Javier Bardem foram dois dos atores lançados no cinema por Bigas Luna, cineasta falecido no passado sábado [ler artigo]. Bardem teve o seu primeiro papel de relevo no cinema em «As Idades de Lúlu» (1990), repetindo a colaboração com o cineasta em “Desejos Inconscientes” (1992) e “Huevos de Oro” (1993). Foi aliás em “Desejos Inconscientes” que trabalhou pela primeira vez com aquela que é hoje a sua esposa na vida real: Penélope Cruz.
Reagindo à morte do catalão, ambos os atores escreveram mensagens, denotando-se um verdadeiro tom emocional nelas.
Bardem não esquece a importância do cineasta na sua vida, começando por dizer que não sabe bem o que dizer. “Não sei o que dizer, ou como. E muito menos escrever. A Bigas devo a mulher que amo, duas almas gémeas e uma carreira que nunca sonhei ter. O que posso acrescentar à eterna e profunda gratidão que sinto por ele? Só o amor imenso que tenho por alguém que sempre foi nobre, livre, bom, amoroso…”.
Já Penélope Cruz recorda a forma como foi “contratada” para “Desejos Inconscientes”, a sua primeira experiência no cinema. Na verdade, tudo começara com a sua tentativa, aos 14 anos, de trabalhar com Lunas em “As Idades de Lúlu”. De forma secreta, a então adolescente surgiu no casting e tentou ludibriar o cineasta com a sua verdadeira idade. “Disse que tinha 17 anos e ele, sempre muito gentil e sem fazer-me sentir mal, riu-se e disse: “Bem, não podes participar neste filme, mas eu vou ligar-te para outro filme quando fores mais velha. (…) Fui para casa a pensar que nunca me chamaria, mas ainda assim satisfeita pelo respeito e carinho com que me tratou. A grande surpresa chegou três anos depois. O telefone tocou e recebi a chamada que me fez acreditar em milagres.”
Javier Bardem e Penélope Cruz em “Desejos Inconscientes”
Bardem acentua a importância que Luna teve na sua carreira e na de muitos atores. “Penélope, Jordi [Mollà] e eu tivemos o nosso primeiro sonho profissional na sua mão. Ele tratou-nos com tanto carinho, respeito e apoio que fez com que nenhum de nós duvidasse em fazer desta a sua profissão. Ele deu-nos o prazer de sonhar acordado, pela primeira vez, e encheu o nosso coração de fé, esperança e amor pelo nosso trabalho. Devemos-lhe a crença de que é possível viver o sonho e ter a força e a fé para lutar por ele.”
Penélope prossegue com os elogios e acrescenta que “Bigas era um ser realmente especial. Uma das pessoas mais sábias quando tocava a viver o presente e a apreciar as pequenas coisas da vida. Quando eu estava com ele, parecia que o tempo parava. Ele transformava cada momento em algo especial, original e, muitas vezes, inesquecível… Um jantar, uma conversa, um dia no set, uma viagem … O seu universo era o mais distante possível da mediocridade”.
“Para mim, foi como um pai que me tomou pela mão e a quem eu devo tanto”, acrescenta Bardem, concluindo com um “Amo-te muito. Agradeço-te tudo. Até sempre pai Bigas.”

