Jack, o Caçador de Gigantes: a queda das alturas

(Fotos: Divulgação)

 

A vida não corre bem ao camponês Jack (Nicholas Hoult), mas a sua dura realidade social e económica só o afeta nos raros momentos em que ele sai do mundo das fantasias das histórias contadas pelo seu desaparecido pai. E não é difícil de aceitar o facto  que, na hora de vender o último recurso que restava a ele e ao tio, um cavalo, ao invés de dinheiro, ele aceite… feijões mágicos!
 
No outro lado da pirâmide social a vida da princesa Isabelle (Eleanor Tomlinson) também não é muito entusiasmante – e tal como Jack, ela tem bem presente na mente as histórias que a sua mãe (igualmente desaparecida) contava quando era criança. Ela também lhe contava histórias de gigantes e falava de coisas como “conhecer o mundo”, “viver aventuras” e outros bons conselhos que iriam gerar maus resultados. Para piorar, a pobre donzela está prometida a um aristocrata não muito entusiasmante, lord Roderick (Stanley Tucci).
 
Será numa das suas fugas noturnas que a sua trajetória se cruzará com o de Jack, os destinos dos dois com os feijões e o de toda a gente com os gigantes, que finalmente poderão vir a ter, depois de séculos, uma ponte para sair do seu mundo e vir para terra desfrutar um bom cozinhado à base de humanos.
 

Queda das alturas

 

 
Talvez tenha sido um bocado injusto o tombo que levou das alturas este filme em termos de bilheteiras – mas quando se trata do veredito popular, conceitos como o de justiçã são irrelevantes. A verdade é que na hora decisiva o polegar da assistência virou para baixo, condenando esse filme orçado em incríveis US 200 milhões à decapitação nas bilheteiras. 
 
Se para os produtores o dissabor é garantido, as sólidas carreiras de Ewan McGregor e Bill Nighy pouco devem acusar impacte, o mesmo ocorrendo, pelo menos para já, com a de Bryan Singer – que a estas alturas já varreu esse flop XXL para as catacumbas da memória e vive a realidade do próximo X-Men. 
 
Bem ou mal para Nicholas Hoult (só o tempo dirá), o ator britânico vai com ele para o filme de super-heróis – mas é um fato que esse desastre não é nada bom para alguém que se está a firmar como estrela de topo. Pior ainda para Eleanor Tomlinson, o elo mais fraco da irmandade do feijão, que depois de papéis menores em filmes como “Alice no País das Maravilhas” e “O Ilusionista” tentava aqui o seu primeiro passo de gigante. A boa notícia para ela é que em Itália corre-lhe bastante bem a produção de Gabriele Salvatores, “Educazione Siberiana”, que protagoniza com John Malkovich e Peter Stormare: foi um dos filmes mais vistos do ano por lá
 
Os críticos, divididos, foram em geral bem mais simpáticos – com a maioria dos comentários atribuindo qualidades à obra, para além dos seus pontos negativos. 
 
 

Bryan Singer remodela (e atrasa) tudo


Produção que remete ao já longínquo ano de 2005, quando pela primeira vez o argumentista Damien Lemke sugeriu a adaptação do conto de fadas com uso de CGI – ainda bem antes do “Alice no País das Maravilhas”, de “A Rapariga do Capuz Vermelho”  e de “A Branca de Neve e O Caçador”. Mas quando entrou em cena o realizador D.J. Caruso, em 2009, a abordagem de Lemke, a de um garoto a chegar a vida adulta, foi reescrita por Mark Bomback. 
 
Não durou muito: apenas alguns meses depois, Bryan Singer foi anunciado como realizador. E toca a reescrever o argumento. Foi então a vez do experiente Christopher McQuarrie (de “As Valquírias”, também realizador do recente “Jack Reacher”) o designado para a tarefa. A maior parte das suas sugestões foram aceites, mas como elevavam o custo além do estabelecido (!) ainda houve outro escritor (Dan Studney) a tratar de manter a história dentro dos limites. 
 
Com isso tudo e mais uma série de exigências de Singer, que queria pré-visualizações digital dos efeitos visuais (particularmente dos gigantes), a produção atrasou e só em 2011 começaram as filmagens. A partir daqui foi a Warner a atrasar, sucessivamente, o lançamento – primeiro porque ia lançar “O Cavaleiro das Trevas Renasce” no verão – depois para evitar a concorrência com “Hobbit – Uma Viagem Inesperada”, no final do ano. Como se veio a verificar, nada disso resultou…

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